OS MILAGRES DE JESUS – 12 – VISÃO ESPÍRITA

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CURA DE UM ENDEMONINHADO CEGO E  MUDO

O TEXTO

22 Trouxeram-lhe, então, um endemoninhado cego e mudo; e, de tal modo o curou, que o cego e mudo falava e via.

Mateus. 12:22

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Provavelmente a menor narrativa de um milagre contida no  Novo Testamento: um único versículo.

Mesmo  assim, muito se poderia dizer a respeito. Em primeiro lugar, se o levaram até o Mestre, é porque  o próprio enfermo (cego e mudo)  – e quem o levou – acreditavam nos poderes de Jesus para curar.

Arcava com graves padecimentos: não enxergava, não falava. Sendo um adulto, como provia o seu sustento, com tais incapacitações?

É  interessante notar que o evangelista já o classificava de “endemoninhado”, certamente julgando que a causa de seus problemas de saúde era uma obsessão espiritual.  Genericamente, chamavam o obsessor de “demônio”, mas isso que não queria dizer exatamente “ser dedicado ao mal”, mas espírito.

Mas se o espírito – ou espíritos – lhe causava tal sofrimento, não haveria de ser bom, embora também pudesse não ser mau, apenas vítima da confusão mental que ataca recém desencarnados que obsedam mais por ignorância e busca de apoio =- vítima ele próprio de uma enfermidade –  do que por deliberada ação vingativa para atormentar, fazer sofrer.  O texto não nos permite concluir com detalhes.

Entretanto,  Jesus o cura sem maiores delongas. Mas não o cura simplesmente, pois o texto destaca:

“…e, de tal modo o curou, que o cego e mudo falava e via.”

Como assim? Ora, Ele poderia tê-lo curado parcialmente: só restituir-lhe a visão ou a fala. Com certeza já seria um grande benefício, uma grande redução dos seus sofrimentos.

Mas, Jesus “de tal modo o curou”, que o curou completamente, certamente após ter verificado que ele cumprira seu resgate cármico, ou vivera até então de tal forma que já merecia um indulto que o Mestre poderia conceder-lhe. A equipe espiritual de Jesus deve tê-lo informado a respeito de sua situação espiritual e seus merecimentos.

Então, Jesus não fez pela metade.

Curou-o de tal modo que ele recuperou completamente a saúde, solucionando os dois problemas que o torturavam:

….”de tal modo o curou, que o cego e mudo falava e via.”

13-09-18

Cura do cego e mudo endemoninhado

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OS MILAGRES DE JESUS – 11 – VISÃO ESPIRITA

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A CURA DO FILHO DA VIÚVA DE NAIM

O TEXTO

11 Logo depois, Jesus foi a uma cidade chamada Naim, e com ele iam os seus discípulos e uma grande multidão.

12 Ao se aproximar da porta da cidade, estava saindo o enterro do filho único de uma viúva; e uma grande multidão da cidade estava com ela.

13 Ao vê-la, o Senhor se compadeceu dela e disse: “Não chore”.

14 Depois, aproximou-se e tocou no caixão, e os que o carregavam pararam. Jesus disse: “Jovem, eu lhe digo, levante-se! ”

15 Ele se levantou, sentou-se e começou a conversar, e Jesus o entregou à sua mãe.

Lucas 7:11-15

COMENTÁRIOS

Mais uma vez Jesus surpreende com a sua empatia, diante de alguém que Ele encontra suportando um grande sofrimento.

Ele se depara com uma viúva – uma mulher que perdera o marido e  enfrentava naquela época, grandes lutas para sua sobrevivência – e nota suas dores exacerbadas diante da morte adicional do seu único filho. Realmente, enfrentava uma grande prova, de tal forma que uma grande multidão a acompanhava, penalizada.

“Ao vê-la, o Senhor se compadeceu dela e disse: “Não chore”.

A essa altura, a equipe espiritual  do Mestre já deveria ter apresentado a ficha completa do menino que desencarnara, agravando a prova de sua mãe.

Mas, Jesus, ao tocar no caixão, teria mesmo ressuscitado a criança, contrariando um processo que certamente seguia as próprias  Leis de Deus? Jesus faria isso, desobedecendo  uma lei divina? A morte, em si, não é uma tragédia, uma desgraça. As vidas todas terão um fim, conforme seus respectivos projetos, e  durarão mais ou menos, sempre em consonância com as necessidades cármicas e/ou de aprendizado através da prova.

Se a morte ocorreu, era porque tenha que ter ocorrido (salvo crime ou negligência de alguém que errou ao permitir que ela a acontecesse, contrariando o contexto previsto) .Jesus não afrontaria essa Lei eterna, formulada por Deus nosso Pai, e que rege todas as vidas no planeta.

Então, para mim, a morte do filho da viúva de Naim não era uma morte real. Existem os casos das mortes aparentes. Pessoas podem ser dadas como falecidas sem que isso na realidade tenha mesmo ocorrido.

Existe um fenômeno chamado LETARGIA.

Letargia, em “O Livro dos Espíritos” significa um estado de “perda temporária da sensibilidade e do movimento”, em que o corpo parece morto, no qual os sinais vitais se tornam quase imperceptíveis, a respiração reduz-se bastante e a pessoa pode ser tomada como morta.

Poderia ser o caso. A equipe espiritual de Jesus poderia ter percebido isso  logo que Jesus cruzou com o séquito que,  consternado,  acompanhava o sepultamento.

Acontecia somente naquele tempo? Obviamente não, acontece também nos dias de hoje. Apenas, presentemente temos mais ferramental e mais recursos para  diagnosticar a “morte aparente”. Isso daria um texto bem mais longo. Mas prometi que não ia me meter em questões científicas, que não domino.

Quero destacar o fato: Jesus não desobedeceria nem faria desobedecer a lei da desencarnação, que não é nenhuma desgraça, em que pese a dor da separação e da saudade.

O que houve foi que Jesus, com dotes espirituais muito superiores –  percebeu logo,  ou foi advertido por sua equipe – que no caso o menino realmente não havia morrido. Havia um engano, por conta desse engano ele foi dado como morto e estava sendo sepultado.

“Depois, aproximou-se e tocou no caixão, e os que o carregavam pararam. Jesus disse: “Jovem, eu lhe digo, levante-se! ”

E confirmando o seu diagnóstico – lembremo-nos de que Jesus detinha profundos conhecimentos  de medicina espiritual  – a criança se recupera, ou seja, desperta, do estado sonambúlico em que se encontrava.

“Ele se levantou, sentou-se e começou a conversar, e Jesus o entregou à sua mãe.”

Só para complementar, vou citar apenas um caso relativamente contemporâneo em que ocorreu algo semelhante:

“Yvonne Pereira, médium brasileira, quase foi enterrada na tenra infância por ter sido considerada morta pelos médicos (letargia).”

https://espiritismocomentado.blogspot.com/2008/09/letargia-e-catalepsia.html

O caso do filho da viúva de Naim foi um milagre menor por que podemos ver nele uma explicação racional? É claro que não. Em todos os casos entraremos  a racionalidade do procedimento de Jesus. Apenas parecem sobrenaturais, simplesmente porque ainda não atingimos o nível que nos permite conhecer as respectivas explicações cientificas.

12-09-18

Filho da viua de Naim

OS MILAGRES DE JESUS – 10 – UMA VISÃO ESPÍRITA

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A CURA DO SERVO DO CENTURIÃO

5 E, entrando Jesus em Cafarnaum, chegou junto dele um centurião, rogando-lhe,

6 E dizendo: Senhor, o meu criado jaz em casa, paralítico, e violentamente atormentado.

7 E Jesus lhe disse: Eu irei, e lhe darei saúde.

8 E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar.

9 Pois também eu sou homem sob autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu criado: Faze isto, e ele o faz.

10 E maravilhou-se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé.

11 Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus;

12 E os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.

13 Então disse Jesus ao centurião: Vai, e como creste te seja feito. E naquela mesma hora o seu criado sarou. Mateus 8:13

Ver também  Lucas 7.1-10

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Mais um caso em que Jesus enfatiza profundamente o valor da fé.

Um centurião está com um dos seus servidores gravemente enfermo. Muito respeitado por pessoas religiosas que o conheciam,  em função de  boas obras que fazia (isso está escrito no evangelho de São Lucas), elas chegaram a interceder por ele: Jesus se sensibiliza e se dispõe a ir visitá-lo.

“Eu irei, e lhe darei saúde”.

Homem humilde, conquanto poderoso, o centurião se opõe, demonstrando profunda fé, embora servisse às hostes romanas:

“Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar.”

Jesus fica admirado com tanta fé:

“Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé. “

O centurião transmitiu o alicerce de tanta fé, demonstrando que acreditava no poder de Jesus por pressupor,  talvez.  a ligação que certamente haveria entre Jesus e um grupo de espíritos elevados que o acompanhavam. Talvez até especulasse que se tratava de um caso de obsessão (“ …o meu criado jaz em casa, paralítico, e violentamente atormentado”. Mas, de qualquer forma declara a confiança que lhe vai dentro da alma:

“Pois também eu sou homem sob autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu criado: Faze isto, e ele o faz.”

Talvez ele se referisse ao poder que Jesus tinha de manipular energias da natureza, supondo que o Mestre “mandasse” nessas energias, desse “”ordens” a elas.

Mas de qualquer forma Jesus surpreendeu-se com tamanha demonstração de confiança.

“Então disse Jesus ao centurião: Vai, e como creste te seja feito”

Nesse momento, a falange de espíritos da equipe de Jesus já deveriam ter feito o seu trabalho, certamente em sintonia espiritual com o Mestre.

Mais um detalhe nos surpreende: “Como creste te seja feito!. Quer dizer que o que recebemos dos bons espíritos o recebemos na PROPORÇÁO  da nossa fé?  Parece que sim!

Suponho eu que a nossa fé cria um ambiente magnético-espiritual que facilita  mais – ou menos –  a ação dos servidores do mundo invisível.  Quanto mais profunda for nossa confiança, mais energias produziremos para melhorar o ambiente em que os espíritos superiores atuarão. Numa fé artificial, demonstrada apenas superficialmente, pouco talvez possa ser feito. Mas num ambiente inundado pelo magnetismo de uma fé transbordante, os médicos espirituais realizariam suas curas mundo mais facilmente. Operariam o que costumamos chamar de “milagres”.

Por isso tantas vezes Jesus destacou a  fé demonstrada por quem lhe pedia alguma ajuda.

“A tua fé te salvou.”,   “Seja conforme creste.”

Isso sugere que podemos desenvolver nossa fé, podemos cultivá-la, engrandecê-la, escaloná-la, a tal ponto que ao pedir a ajuda de espíritos amigos, eles possam nos dizer, respondendo com suas ações em benefício de nós mesmos ou de alguém objeto de nossa sensibilidade e empatia: “Será feito conforme creste”.

“Será feito o que puder ser feito, em razão do estágio das provas e na proporção da fé real que estais demonstrando neste momento”.

NOTA: A foto que eu escolhi é uma cena do filme “Jesus de Nazaré”,  onde se destaca a esplêndida atuação do ator “Ernest Borgnine”, numa magistral interpretação do centurião que procura Jesus.

11-09-18

A cura do servo do centurião

OS MILAGRES DE JESUS – 09 -UMA VISÃO ESPÍRITA

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A CURA DO HOMEM QUE TINHA UMA DAS MÃOS MIRRADA

O TEXTO

9 E, partindo dali, chegou à sinagoga deles.

10 E estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada; e eles, para acusarem Jesus, o interrogaram, dizendo: É lícito curar nos sábados?

11 E ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que, tendo uma ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não lançará mão dela e a levantará?

12 Pois quanto mais vale um homem do que uma ovelha? É, por consequência, lícito fazer bem nos sábados.

13 Então disse àquele homem: Estende a mão. E ele a estendeu, e ficou sã como a outra.

Mateus 12.9-13;   Veja também: Marcos 3.1-5; Lucas 6.6-10)

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Em cada um dos milagres de Jesus há um aspecto interessante a destacar, a  tal ponto que a própria cura – já pelos estudiosos esperada como algo normal  – partindo de um ser da magnitude de Jesus Cristo –  ganha um aspecto secundário, se nos colocamos do ponto de vista  do Espiritismo.

Portanto, nem faz tão indispensável lembrar que  o homem que tinha a mão ressequida ou atrofiada era um espírito  finalizando seu resgate de débitos passados, e que, sob a autorização e condução do Mestre, foi submetido aos cuidados da equipe de Espíritos que o acompanhavam. Isso já nos soa como obvio.

No caso, chama a atenção a preocupação dos religiosos ortodoxos da época que, incomodados com os poderes de Jesus, e com as  concessões que Ele obtinha  do Pai Criador em nível superior ao que eles próprios obtinham,  isso os diminuía em prestígio e conceito perante o povo .

Jesus, como sempre, acotovelava-se com a multidão. Era bem provável que alguém lhe pedisse o favor de alguma cura.

“E estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada”

Como era um sábado, os invejosos usaram , como pretexto para acusá-lo,  a tentativa de  surpreendê-lo em falta diante do 3 º mandamento da Lei de Deus, um dos 10 transmitidos por Moisés no Monte Sinai:

“3º Lembra-te de santificar o dia do sábado.”

Para mim,  a inclusão desse mandamento deveu-se unicamente à necessidade de que os homens, por uma questão de saúde, seguissem uma regra salutar de imporem-se um descanso semanal,  aproveitando para consagrá-lo ao culto ao Pai Todo Poderoso, rendendo-lhe uma rotina de gratidão, reforçando a conveniência de uma parada salutar diante de homens eventualmente gananciosos – não fora a regra imposta.

Obviamente não  é possível conceber que trabalhar aos sábados  constituía um  pecado grave. A proibição visava a um bem maior, de caráter sociológico, de preservação da saúde  de toda uma raça.

Tanto assim, que o Mestre responde serenamente, quando questionado sobre o “trabalho aos sábados”:

“….e eles, para acusarem Jesus, o interrogaram, dizendo: É lícito curar nos sábados?”

“E ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que, tendo uma ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não lançará mão dela e a levantará?”

Deixando evidente que certamente haveria muitas exceções que justificariam o trabalho num dia consagrado ao descanso semanal,  e deixando claro que Jesus percebera que a questão levantada era apenas uma provocação, uma armadilha para supostamente surpreendê-lo em falta diante da Lei Mosaica. Contraditando a hipocrisia, volta-se ao doente:

“Então disse àquele homem: Estende a mão. E ele a estendeu, e ficou sã como a outra”

Em várias outras ocasiões Jesus exortava para que as pessoas distinguissem o essencial do acessório. Ora, diante de uma pessoa enferma, diante da possibilidade de fazer o bem a um doente, o que era mais importante, cumprir um regra genérica e disciplinante ou fazer o bem, auxiliar alguém necessitado? Então,   exemplifica o seu ensino mais constante, que demonstrava sempre, em função de  sua empatia diante do sofrimento humano:

“Amai-vos uns aos outros”

10-09-18

jesus-milagres-cura-homem-mao-mirrada-ressequida

OS MILAGRES DE JESUS – 08 – UMA VISÃO ESPÍRITA

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A CURA DE UM PARALÍTICO EM CAFARNAUM

O TEXTO

1 Poucos dias depois, tendo Jesus entrado novamente em Cafarnaum, o povo ouviu falar que ele estava em casa.

Então muita gente se reuniu ali, de forma que não havia lugar nem junto à porta; e ele lhes pregava a palavra.

Vieram alguns homens, trazendo-lhe um paralítico, carregado por quatro deles.

Não podendo levá-lo até Jesus, por causa da multidão, removeram parte da cobertura do lugar onde Jesus estava e, pela abertura no teto, baixaram a maca em que estava deitado o paralítico.

Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse ao paralítico: “Filho, os seus pecados estão perdoados”.

Estavam sentados ali alguns mestres da lei, raciocinando em seu íntimo:

“Por que esse homem fala assim? Está blasfemando! Quem pode perdoar pecados, a não ser somente Deus?”

Jesus percebeu logo em seu espírito que era isso que eles estavam pensando e lhes disse: “Por que vocês estão remoendo essas coisas em seu coração?

Que é mais fácil dizer ao paralítico: Os seus pecados estão perdoados, ou: Levante-se, pegue a sua maca e ande?

10 Mas, para que vocês saibam que o Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados” — disse ao paralítico —

11 “eu lhe digo: Levante-se, pegue a sua maca e vá para casa”.

12 Ele se levantou, pegou a maca e saiu à vista de todos, que, atônitos, glorificaram a Deus, dizendo: “Nunca vimos nada igual!”

Marcos 2:1-12  veja também Mateus 9:1-8 e Lucas 5:17-26.

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Interessantes dois aspectos que se destacavam nas curas de Jesus: a demonstração de fé por parte de quem era curado e a vinculação do sofrimento ao pecado.

Neste caso, a fé é tão grande que, diante da dificuldade de chegar próximo do Mestre, rodeado por muita gente na casa onde se encontrava, as pessoas que conduziam um paralítico, preso a uma cama (uma espécie de maca, naquele tempo), prendem-na a cordas, erguem-na ao telhado, promovem uma abertura pela qual descem o enfermo até o local onde estava Jesus, numa grande demonstração de fé, percebida por Jesus.

“Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse ao paralítico: Filho, os seus pecados estão perdoados”.

O que é a fé? Por que faz tanta diferença entre quem tem e quem não tem? Ou tem de mais ou de menos? Sim, porque algumas pessoas parece a possuírem em grau maior que outras.

Definimos fé  por confiança, falando genericamente. Quem tem certeza de uma coisa, manifesta essa fé porque viu essa coisa, sentiu-a, testemunhou-a. Mas há pessoas que acreditam  mesmo que não tenham tipo oportunidade de constatar qualquer evidência. Creem, mesmo sem terem visto, ouvido, testemunhado. Creem por raciocínio ou por alguma motivação interior, talvez espiritual.

Poderia ser que o cérebro humano ainda não tivesse  registrada a evidência, mas a memória espiritual a possuísse de outras experiências, no plano invisível ou em outras encarnações. Também poderia ser transmitida pelo testemunho de uma companhia espiritual (uma amigo, companheiro) que lhe alimentasse a confiança, a certeza. Isso poderia se manifestar em forma de intuição, a certeza ou informação que vem de dentro, do campo da alma.

Mas e a questão dos pecados causadores da incapacitação? Jesus o percebe e declara, amorosamente: “Filho, os teus pecados estão perdoados”. Parece que Jesus dá mais importância  à questão dos pecados do que à fé, propriamente. Talvez, só pela fé o doente não conseguisse a cura, pois não estando ainda resgatadas as causas, Jesus seria incorreto se a curasse.

Mas teria Jesus poderes ou autoridade para reconhecer ou dar como concluído o resgate? Algumas pessoas que assistiram a cena resmungaram:

“ Está blasfemando! Quem pode perdoar pecados, a não ser somente Deus?”

Então, o Mestre, para lhes demonstrar que Ele possuía  essa autoridade, conclui:

“Mas, para que vocês saibam que o Filho do homem tem na Terra autoridade para perdoar pecados” — disse ao paralítico —  “Eu lhe digo: Levante-se, pegue a sua maca e vá para casa”.

Fica claro para nós, que sem a remissão do pecado, sem que já tivesse sido purgada a causa,  o sofrimento libertador, a cura não teria ocorrido. Mas também fica  claro que Jesus tinha autoridade para conceder um indulto, se percebesse que a dor já havia durado tempo suficiente para corrigir o pecador.

Como vimos repetindo, certamente a equipe que acompanhava Jesus já teria levantado tudo e sabia de toda a sua história, mostrando-a ao Mestre,  que a julgou e concedeu o perdão, talvez um indulto libertador.

Mas voltemos à questão da fé. Provavelmente, ao alimentar a fé em Jesus, o doente manifestava interiormente a certeza de que era justo o seu sofrimento,reconhecendo que estamos todos submetidos a Leis de Justiça. Esse sentimento deve ter mobilizado energias espirituais que colaboraram na produção da cura do enfermo, sob a assistência amorosa e competente da assessoria de Jesus. Sem essa fé, tão vivamente demonstrada com o esforço para chegar próximo do Mestre, talvez a cura não fosse realizada, talvez não se preenchesse o vácuo que Jesus preencheu com sua autoridade,  concedemdo-lhe o indulto.

Em várias outras ocasiões Jesus atesta o valor da fé: “ A tua fé te salvou…”

Então, tudo isso é um convite para  que alimentemos a nossa fé, a nossa confiança na Justiça Divina,  no poder do Pai Criador e dos espíritos bondosos que administram o a Vida e o Universo.

Errar, todos erramos, nos estágios em que nos encontramos. Mas, ao lado da caridade (“O bem cobre multidão de pecados…”), a fé que desenvolvamos pode nos levar a um nível que permita aos espíritos maiores completarem o que nos falta para merecer a recuperação de doenças e incapacitações. Então,  também poderemos ouvir, nos ouvidos espirituais:

Filho, tem bom ânimo; os seus pecados estão perdoados”.

Maravilhosa lição.

09-09-18

cura do-paralitico-cafarnaum

OS MILAGRES DE JESUS – 07 – UMA VISÃO ESPÍRITA

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A CURA DE UM LEPROSO

O TEXTO

12 Estando Jesus numa das cidades, passou um homem coberto de lepra[a]. Quando viu Jesus, prostrou-se, rosto em terra, e rogou-lhe: “Se quiseres, podes purificar-me”.

13 Jesus estendeu a mão e tocou nele, dizendo: “Quero. Seja purificado!” E imediatamente a lepra o deixou.

14 Então Jesus lhe ordenou: “Não conte isso a ninguém; mas vá mostrar-se ao sacerdote e ofereça pela sua purificação os sacrifícios que Moisés ordenou, para que sirva de testemunho”.

15 Todavia, as notícias a respeito dele se espalhavam ainda mais, de forma que multidões vinham para ouvi-lo e para serem curadas de suas doenças.

16 Mas Jesus retirava-se para lugares solitários, e orava.

Lucas 5.12-16 (Veja também Mateus 8.2-4; Marcos 1.40-45)

COMENTÁRIOS

Já comentamos este milagre na introdução desta série, porque para nós  a atitude de Jesus neste caso é emblemática e revela um aspecto importantíssimo da configuração das atitudes do Mestre durante o tempo em que esteve aqui na Terra.

Um homem acometido de lepra dirige-se a Jesus, prostrando-se, “rosto ao chão”:

“Se quiseres, podes purificar-me”.

Naquele tempo, os doentes do Mal de Hansen sofriam superlativamente. As consequências da doença em si e o isolamento da sociedade se acumulavam , pois as deformações os transformavam em verdadeiros espantalhos humanos, assustando as pessoas, criando dificuldades até mesmo para quem quisesse ajudá-los, pois havia o medo contágio com uma doença tida como incurável. Criavam-se “Vales de Leprosos”, onde se agrupavam, e eles se dirigiam quase que  furtivamente às cidades para pedir esmolas de sobrevivência e nem sempre eram recebidos caridosamente, sendo temidos, pois geravam  repugnância. Eram desprezados, não raro afugentados e até mesmo apedrejados, mais pelo medo do que por maldade.

Os leprosos viviam como farrapos humanos, mendigando, afastando-se de todos. As pessoas os expulsavam frequentemente.

Quando o leproso da história vê Jesus, vislumbra uma possibilidade de curar-se e libertar-se dessa “maldição”. Dirige-se ao Mestre com fé e humildade:

“Se quiseres, podes purificar-me”

Mas não tem certeza de que Jesus vai atendê-lo.

Entretanto,  o Mestre se comove, demonstrando a sua empatia e  profunda sensibilidade diante do sofrimento humano.

“Quero. Seja purificado!”

E logo a doença o deixou. Isso talvez tenha significado a transformação quase que imediata do seu corpo, o desaparecimento das feridas, das deformações. Isso significaria o fim do isolamento, da vergonha, da humilhação. Isso deve ter significado a possibilidade de conviver, de voltar a interagir com  as pessoas, de voltar a trabalhar, de conseguir autonomia para conseguir o próprio sustento, a reconquista da dignidade humana.

Jesus deve ter notado que o resgate daquele espírito, em razão de erros do passado,  havia chegado ao fim, inclusive diante  da sua manifestação de fé. Pode ser que o leproso tenha solicitado ele mesmo essa difícil prova da doença, para curar-se da soberba ou de alguma outra má tendência que o retinha nos degraus mais baixos da sua escala evolutiva. Notando-lhe, os méritos alcançados,  Jesus  afirma:          “Quero, sê limpo”.

A partir daí, os espíritos assessores se encarregaram da parte prática da cura, incumbindo médicos espirituais de agir no corpo do enfermo, interferindo na química e no funcionamento  material para que o organismo recuperasse a saúde e prosseguisse saudável com o automatismo  de suas funções.

Interessante o que Jesus faz em seguida, pedindo que não contasse a ninguém que recebera o favor divino pelas mãos do Mestre. Mas sua fama se espalhava e multidões o procuravam para ouvi-lo e para rogar curas de doenças que os martirizavam, numa  época em que a população padecia muito à falta de serviços públicos para atender o povo em geral.

Ainda manda-o mostrar-se ao sacerdote e submeter-se aos rituais da religião dos judeus , Jesus sempre recomendava atitudes semelhantes para os beneficiados demonstrarem a sua gratidão. Era também uma forma de demonstrar que Ele próprio agia de acordo com a religião vigente,  para não parecer que ele divergia ou apresentava algo diferente, contrastante ou contestador.

”..mas vá mostrar-se ao sacerdote e ofereça pela sua purificação os sacrifícios que Moisés ordenou, para que sirva de testemunho”.

Finalmente, ocorre algo que sempre me intrigou.

“Mas Jesus retirava-se para lugares solitários, e orava.”

Vemos isso ocorrer várias vezes. Jesus tinha por hábito isolar-se para orar. Para obter silêncio? Para isolar-se e dialogar com Deus, solicitando recursos e agradecendo pelo atendimento dos favores  que pedia para as pessoas que o procuravam? Provavelmente, por todas essas razões.

Jesus agradecia a Deus constantemente, e demonstrava a sua profunda fé no Pai Criador, submetendo-se ao seu Poder Maior, demonstrando gratidão pelas coisas que produzia no estágio que havia alcançado.

08-09-18

Cura de um leproso

 

 

OS MILAGRES DE JESUS – 06 – VISÃO ESPÍRITA

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A CURA DA SOGRA DE PEDRO – 06

O TEXTO

  1. Ora, levantando-se Jesus da sinagoga, entrou em casa de Simão; e a sogra de Simão estava enferma com muita febre, e rogaram-lhe por ela.
  2. E, inclinando-se para ela, repreendeu a febre, e esta a deixou. E ela, levantando-se logo, servia-os.

Lucas 4: 38-39

Veja também: Mateus 8.14,15; Marcos 1.29-31;

COMENTÁRIOS

Este é uma das narrativas de milagres mais curtas do Evangelho. Sabendo-se que Jesus curou muita gente, pode-se até estranhar porque três evangelistas contaram essa mesma história. Até porque parecia um caso simples, uma simples febre, aparentemente nada grave, comparativamente a  outros casos de que o Mestre se ocupou.

Vejamos assim: em primeiro lugar, o caso poderia ser mais grave do que a narração pode fazer supor. Poderia ocultar uma grave doença infecciosa, causadora da febre, causa vislumbrada por Jesus, detentor de ampla capacidade de visão mediúnica, e diagnostico espiritual.

Pode tê-la curado com seus recursos magnéticos, aplicando-lhe um passe, ou requisitando a ajuda da equipe espiritual que o assessorava.

Mas há um detalhe interessante:

E, inclinando-se para ela, repreendeu a febre, e esta a deixou.

Como assim, repreendeu a febre? Pode ser que Jesus tenha percebido na causa da febre a ação de um espírito obsessor. Sabemos que um espírito enfermo pode nos transmitir os sintomas de sua enfermidade; há casos em que ele próprio pode estar em tal estado de perturbação que não esteja percebendo que está transmitindo  involuntariamente a sua própria doença, a um encarnado ao qual esteja ligado, por essa ou aquela razão.

Pode ser que um espírito perverso ou vingativo esteja atuando propositadamente para transmitir a um desafeto uma enfermidade qualquer, sua  ou de outrem.  Não é raro que uma entidade leve espíritos enfermos para a casa de um inimigo encarnado e deixe-o lá para que uma doença  seja transmitida e o prejudique. .

Cansamos de ver casos assim nas reuniões de desobsessão nos Centros Espíritas. Eu mesmo testemunhei muitas ocorrências. O espírito mentor ausentava-se para atender um pedido de ajuda e retornava trazendo um espírito gravemente enfermo, muitas vezes recém desencarnado, confuso, sem saber o que estava lhe acontecendo, após deixar a vida em decorrência de acidentes, cirurgias, graves enfermidades assassinatos. Eram locados nos médiuns mais adequados ao seu caso, através do qual relatavam seus dramas e sofrimentos, enquanto os espíritos assessores da casa o socorriam. Terminado o atendimento, demoravam-se em comoventes agradecimentos a toda a equipe que os ajudara.

André Luiz descreve um caso com essas características num dos seus livros (se não me engano, no livro “Libertação”), onde um inimigo aloja duas entidades  para agravar a enfermidade de alguém a quem queria prejudicar.

O caso da sogra de Pedro poderia encaixar-se em uma dessas hipóteses, pois o mestre “advertiu” a febre.  Poderia ser uma força de expressão, numa linguagem simbólica, poderia ser uma expressão ingênua ou entusiasmada. Mas o evangelista Lucas era médico, não haveria porque usar uma expressão ingênua, desprovida de qualquer aspecto técnico para descrever o que fizera Jesus para curar a sogra de Pedro, que curou-se rapidamente, e logo se pôs a servi-los.

Difícil precisar o que realmente aconteceu. Jesus frequentava a casa de Pedro e lá se faziam reuniões frequentemente, como se constata no livro “Jesus no Lar’, psicografia de Chico Xavier. Então, o ambiente doméstico provavelmente seria muito iluminado e bem assistido espiritualmente, sendo pois a ação de Jesus profundamente facilitada pela manutenção  de um clima espiritual muito favorável à ação de bons espíritos.

Finalmente,  notemos que Jesus  cura a enferma “inclinando-se para ela…”, num gestou carinhoso e amoroso. Fico pensando quão maravilhoso seria isso para nós: ver Jesus inclinar-se para qualquer um de nós, simples mortais, pecadores, e dispensar-nos um gesto de cura!

Mas o mestre sempre demonstrava sua empatia, sua sensibilidade.

Fê-lo, também, quando a sogra de Pedro, seu amigo  e companheiro, requereu cuidados especiais para a sua saúde.

07-09-18

Cura sograpedro