OS MILAGRES DE JESUS – 18 – VISÃO ESPÍRITA

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18 A CURA DO MUDO ENDEMONINHADO

O TEXTO

32 E, havendo-se eles retirado, trouxeram-lhe um homem mudo e endemoninhado.

33 E, expulso o demônio, falou o mudo e a multidão se maravilhou, dizendo: Nunca tal se viu em Israel.

34 Mas os fariseus diziam: Ele expulsa os demônios pelo príncipe dos demônios

#18 (Mateus 9.32,34)

COMENTÁRIOS

Nesta narrativa, chama-nos a atenção a classificação que o evangelista faz ao enfermo: “mudo  E endemoninhado”.  Havia dois problemas, um de saúde orgânica e outro de característica espiritual.

Mas, expulso o demônio o doente  voltou a falar, demonstrando, então que a causa da enfermidade não era uma anomalia de origem corpórea real.

Uma entidade espiritual dominava um desafeto ou antigo comparsa, impingindo-lhe o sofrimento da mudez, através de provavelmente uma hipnose espiritual. Tanto assim que,

E, expulso o demônio, falou o mudo e a multidão se maravilhou (…)

Apenas se surpreenderam com a competência de Jesus: “Nunca tal se viu em Israel!”

De onde vinha a autoridade do Mestre para provocar tal prodígio?  Logo a inveja de seus desafetos gerou o murmúrio de que

“Ele expulsa os demônios pelo príncipe dos demônios”;

De fato, se era um inimigo espiritual que provocava,  por ódio ou vingança,  aquela restrição orgânica, por que o seu autor ou responsável se sujeitava à ordem do Mestre?  Mas o cumprimento da ordem lhe foi irresistível.

Os fariseus raciocinaram, invejosamente, para diminuir os méritos de Jesus, que Ele fazia parte do grupo de demônios, tinha-lhe influência e autoridade. Por conta disso,  não mereceria respeito por parte dos fiéis, que acreditavam em Deus.

Pelos ensinamentos de Kardec, sabemos que a ascensão espiritual gera subida na hierarquia junto à Criação, e os mais elevados desfrutam de autoridade irresistível sobre os que lhes estão abaixo.

E o que determina esse status? A moral, o progresso das virtudes do amor e da dedicação ao próximo. Obviamente, ao lado do desenvolvimento da ciência e da inteligência.

Jesus tinha isso tudo de sobra. Era o espírito mais elevado que pisava a face da Terra. Nenhum espírito à sua volta conseguiria subtrair-se à sua autoridade.

Os homens formam e constituem suas autoridades por diversos meios: títulos concedidos por dirigentes maiores, para exercerem determinadas funções na administração dos povos; domínio pela força física ou pelo uso de armas mortíferas ou  capazes de ferir e incapacitar. Ou seja: pelo medo, pelo terror.

Mas o Espiritismo nos esclarece que a verdadeira autoridade, o verdadeiro direito de comandar e expedir ordens e regulamentos provém da ascensão conseguida  pelas conquistas morais, a aquisição de virtudes adquirida pelas provas das vidas sucessivas ou pelo  resgates, muitas vezes dolorosos,  a que  nossos erros nos arrastam.

Jesus era a autoridade suprema. Sua ordem era irresistível.

Informado por seus assessores – ou constatando isso pela sua própria capacidade espiritual – de que o enfermo já cumprira o período de ajuste, pela mudez,  de que se tornara devedor, ou ultrapassada a data em que já merecia um indulto, o Mestre dá então a ordem para que o obsessor abandone sua vítima,  que então, diante desse fato,  recupera sua saúde integralmente.

Só falta lembrar que se levarmos isso em conta, muitos enfermos nos hospitais e nas casas de saúde se recuperariam através do trabalho de desobsessão nos Centros Espíritas. Mesmo sem termos a mesma autoridade de Jesus, podemos produzir reuniões com espíritos mais elevados do que nós e gerar operações de cura quando a causa é a obsessão.

Bastaria um pouco mais de fé no Espiritismo, para constatamos que também na nossa cidade, nos grupos  ou povoações em que vivemos, “Nunca se viram tais maravilhas!.

Depende apenas da nossa fé na vida espiritual invisível.

Maravilhosa lição.

02-10-18

cura-de-um-endemoniado-mudo

 

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OS MILAGRES DE JESUS – 17 -VISÃO ESPÍRITA

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17 JESUS CURA DOIS CEGOS

O TEXTO

29 Quando Jesus e os discípulos estavam saindo de Jericó, uma grande multidão seguia Jesus.

30 Dois cegos, sentados na beira do caminho, ouviram alguém dizer que ele estava passando e começaram a gritar:

— Senhor, Filho de Davi, tenha pena de nós!

31 A multidão os repreendeu e mandou que calassem a boca, mas eles gritaram ainda mais:

— Senhor, Filho de Davi, tenha pena de nós!

32 Então Jesus parou, chamou os cegos e perguntou:

— O que é que vocês querem que eu faça?

33 — Senhor, queremos poder enxergar! — responderam eles.

34 Jesus teve pena dos cegos e tocou nos olhos deles. No mesmo instante eles puderam ver e então seguiram Jesus.

Mateus 20:29-34

COMENTÁRIOS

Mais uma vez notamos a importância que Jesus atribui à fé para a produção da cura.

Dois cegos gritam por ele. Deveria ser muito difícil padecer de cegueira naquele tempo, vivendo de da esmola pública quando faltasse o amparo familiar.

“— Senhor, Filho de Davi, tenha pena de nós!”

“A multidão os repreendeu e mandou que calassem a boca” (provavelmente importunavam  a população com seus pedidos de ajuda), mas  Jesus fica sensibilizado, chama os cegos e lhes faz uma pergunta aparentemente óbvia:

“— O que é que vocês querem que eu faça?”

Ora, não era evidente? Queriam ver, enxergar, deixar de depender na sensibilidade alheia! Mas o Mestre analisava algo muito mais além: Seria conveniente para aqueles espíritos, enquanto espíritos em prova, tornar a ver? Já teriam terminado suas provas ou exercícios:? Eram espíritos diferentes,  mas o que teriam em comum para se ajuntarem naquele episódio? Os crimes, as causas, seriam semelhantes, talvez. Estariam pagando por erros cometidos? Teriam solicitado respectivamente suas provas para evoluírem?

Havia muita coisa em jogo. Jesus sabia, certamente informado pela sua equipe de assessores que àquela altura já lhes haveriam levantado a “ficha de cadastro espiritual”.

De posse dessas informações, o Mestre penalizou-se, tocou seus olhos e os curou, certamente na proporção da fé e do merecimento que demonstravam naquela oportunidade. Quão completamente? A narrativa não nos esclarece…

Do ponto de vista Espírita, é como se Ele lhes tivesse perguntado:

“Ok, sei que enfrentam as dificuldades da cegueira. Mas do ponto de vista da conveniência espiritual, vocês têm certeza de que, nesse momento, a cura é o melhor para vocês?”

Jesus deve ter analisado o ponto de resgate ou de superação em que se achavam. Ficou com pena, mas deve ter avaliado o caso como juiz espiritual de vidas eternas, Deve ter considerado que a cura não lhes causaria atraso espiritual.

Mas mesmo assim, condicionou, graduou e escalonou a cura na proporção da fé demonstrada. É como se informasse:

“Vou lhes conceder a cura na proporção do que vocês supõem que lhes seja conveniente, neste momento, para que subam o degrau a que se propuseram “

Curados, cada um na proporção que Jesus considerou adequada, eles  passaram a seguir a Jesus.

Convém lembrarmos:  o sofrimento é sempre um trabalho. Deus não o permite apenas para judiar dos que lhe sofrem as dores, restrições ou limitações.

Mesmo, assistindo a nosso sofrimento reparador, Deus nos ama e quer o nosso bem, acima de tudo. E nem sempre nosso bem é a saúde perfeita, pois nem sempre a usamos para o bem. Em alguns momentos da vida espiritual, nem sempre a ausência de enfermidade  do  corpo físico é o melhor para a criatura em evolução, no estágio em que nos encontramos neste Planeta.

29-09-18

jesus cura dois cegos

OS MILAGRES DE JESUS – 16 – VISÃO ESPÍRITA

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16 RESSURREIÇÃO DA FILHA DE JAIRO

O TEXTO

40 Quando Jesus voltou para o lado oeste do lago, a multidão o recebeu com alegria, pois todos tinham ficado ali à espera dele.

41 Então chegou um homem chamado Jairo, que era chefe da sinagoga daquele lugar. Ele se jogou aos pés de Jesus e pediu com insistência que fosse até a sua casa

42 porque a sua filha única, de doze anos, estava morrendo.

Enquanto Jesus ia caminhando, a multidão o apertava de todos os lados. 43 Nisto, chegou uma mulher que fazia doze anos que estava com uma hemorragia.

NOTA: (…) Ver nossa postagem anterior, número 16, quando tratamos desse milagre.

49 Jesus ainda estava falando, quando chegou da casa de Jairo um empregado, que disse:

— Seu Jairo, a menina já morreu. Não aborreça mais o Mestre.

50 Jesus ouviu isso e disse a Jairo:

— Não tenha medo; tenha fé, e ela ficará boa.

51 Quando Jesus chegou à casa de Jairo, deixou que Pedro, João e Tiago entrassem com ele, além do pai e da mãe da menina, e mais ninguém.

52 Todos os que estavam ali choravam e se lamentavam por causa da menina. Então Jesus disse:

— Não chorem, a menina não morreu; ela está dormindo.

53 Aí começaram a caçoar dele porque sabiam que ela estava morta. 54 Mas Jesus foi, pegou-a pela mão e disse bem alto:

— Menina, levante-se!

55 Ela tornou a viver e se levantou imediatamente. Aí Jesus mandou que dessem comida a ela.

56 Os seus pais ficaram muito admirados, mas Jesus mandou que não contassem a ninguém o que havia acontecido.

Lucas 8.41,42,49-56)  Ver também (Mateus 9.18, 23-26; Marcos 5.22-24, 35-43;

COMENTÁRIOS

Sempre impressiona a tranquilidade com que Jesus recebia os pedidos de cura, mesmo quando o solicitante já não tinha motivos para ter esperanças, diante do quadro que o doente protagonizava.

Jairo era chefe da sinagoga, era um homem religioso e demonstrou acreditar nos poderes de Jesus. Mas as notícias que lhe vinham de casa  eram desanimadoras.

— Seu Jairo, a menina já morreu. Não aborreça mais o Mestre.

Mas Jesus era sempre bem informado pela falange espiritual que o acompanhava. Talvez a menina enfrentasse um estado de morte aparente, insuspeitado ou desconhecido pelos que lhe testemunhavam o problema de saúde.

— Não tenha medo; tenha fé, e ela ficará boa.

E deveria ser mesmo um caso especial, pois o Mestre selecionou os discípulos para acompanhá-lo, provavelmente considerando as capacidades e propriedades mediúnicas de que eram portadores.

Deixou que apenas Pedro, João e Tiago entrassem com ele, além do pai e da mãe da menina, e mais ninguém. E advertiu, esclarecendo:

— Não chorem, a menina não morreu; ela está dormindo.

Pelos recursos colocados à disposição da menina ou pelos conhecimentos da Medicina à época, a criança foi dada como morta. Era tal a convicção que circunstantes chegaram a zombar das “ingênuas”  pretensões do Mestre.

Entretanto, numa das  cenas mais lindas do Evangelho, Jesus se dirige a ela e ordena, tomando-a pela mão e falando em voz alta:

— Menina, levante-se!

Em aramaico: Talitha Cumi.

Os seus pais ficaram muito admirados, mas Jesus mandou que não contassem a ninguém o que havia acontecido.

Outro detalhe interessante é que Jesus sempre pedia discrição diante dos seus feitos, jamais incentivava a publicidade, talvez para não atrair multidões que viriam em busca de curas milagrosas,  que muitos não poderiam obter por falta de merecimento ou por exigência de suas provas na reencarnação. Nem todos mereceriam indultos, o Mestre sabia disso. Não era um demagogo em busca de publicidade. O Redentor planejava conquistar coração a coração, alma a alma, convencendo profundamente e conquistando a mudança de comportamento dos espíritos beneficiados pelos favores que distribuiu.

28/09/18

Jesus curando a menina Talitha

OS MILAGRES DE JESUS – 15 – VISÃO ESPÍRITA

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15 A CURA DA MULHER ENFERMA,  HEMOROÍSSA

O TEXTO

25E estava ali certa mulher que havia doze anos vinha sofrendo de hemorragia.

26Ela padecera muito sob o cuidado de vários médicos e gastara tudo o que tinha, mas, em vez de melhorar, piorava.

27Quando ouviu falar de Jesus, chegou por trás dele, no meio da multidão, e tocou em seu manto,

28porque pensava: “Se eu tão somente tocar em seu manto, ficarei curada”.

29Imediatamente cessou sua hemorragia e ela sentiu em seu corpo que estava livre do seu sofrimento.

30No mesmo instante, Jesus percebeu que dele havia saído poder, virou-se para a multidão e perguntou: “Quem tocou em meu manto?”

31Responderam os seus discípulos: “Vês a multidão aglomerada ao teu redor e ainda perguntas: ‘Quem tocou em mim?’ ”

32Mas Jesus continuou olhando ao seu redor para ver quem tinha feito aquilo.

33Então a mulher, sabendo o que lhe tinha acontecido, aproximou-se, prostrou-se aos seus pés e, tremendo de medo, contou-lhe toda a verdade.

34Então ele lhe disse: “Filha, a sua fé a curou! Vá em paz e fique livre do seu sofrimento”.

Marcos 5.25-34;  Ver também : Mateus 9:20-22 Lucas 8.43-48

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O corpo de Jesus deveria ser  irradiante de energias espirituais. Um médium que O observasse, tendo as propriedades mediúnicas adequadas, haveria de vê-Lo irradiante, qual se fora um dínamo jorrando recursos curadores por onde quer que passasse.

A mulher que havia 12 anos padecia de distúrbios de fluxo de sangue gastara tudo que tinha com médicos e fármacos, não encontrando a cura. Mas, sabendo da passagem de Jesus, foi intuída por amigos espirituais a se aproximar dele, recebendo espiritualmente a informação de que o Mestre poderia curá-la. Ele se dirige a ele, mas  envolvido pela multidão havia dificuldades para ser abordado. Mas sua fé a animava:

“Se eu tão somente tocar em seu manto, ficarei curada”.

De onde lhe veio convicção tão profunda? Acredito que sua confiança era estimulada por amigos espirituais, que conheciam suas lutas, seus sacrifícios..

Imediatamente cessou sua hemorragia e ela sentiu em seu corpo que estava livre do seu sofrimento.”

Por si só, isso já seria uma ocorrência maravilhosa. Mas acontece algo mais: Jesus – que deveria estar sempre em comunhão com os seres que apascentava –  percebe que de seu corpo partiram energias curadoras, ainda que não vendo a pessoa que requisitara seus benefícios terapêuticos,  mesmo sem abordá-lo diretamente.

No mesmo instante, Jesus percebeu que dele havia saído poder, virou-se para a multidão e perguntou: “Quem tocou em meu manto?”

Impressionante, a consciência que Ele possuía da sua capacidade radioativa. Aliás, todos nós somos seres radioativos, enquanto espíritos, encarnados ou não. Mas Jesus deveria sê-lo em escala muito superior.

“Vês a multidão aglomerada ao teu redor e ainda perguntas: ‘Quem tocou em mim?’ ”

Sim, Jesus deve ter percebido o magnetismo da fé de quem lhe requisitara a cura, tamanha teria sido a fé que motivou a mulher enferma.

Mas Jesus continuou olhando ao seu redor para ver quem tinha feito aquilo.

A mulher teve medo, talvez de ser censurada por usar recursos de um grande benfeitor sem previa autorização.

Então a mulher, sabendo o que lhe tinha acontecido, aproximou-se, prostrou-se aos seus pés e, tremendo de medo, contou-lhe toda a verdade.”

Mas, provavelmente, Jesus queria apenas identificar tamanha fé, e usar a ocorrência como um exemplo de certeza grandiosa, capaz de produzir grandes efeitos, muito acima do que nosso cotidiano pode proporcionar, por mais eloquentes sejam as palavras com as quais queiramos demonstrar publicamente nossa confiança nos poderes do nosso Criador e dos seus prepostos, entre os quais O Mestre se destacou por sua sabedoria, empatia e bondade.

“Filha, a sua fé a curou! Vá em paz e fique livre do seu sofrimento”.

 

Interessante destacar que na visão de Jesus, faltava algo para completar o milagre. Receber o influxo que paralisara a hemorragia parecia-lhe não ser suficiente. Talvez qualquer um pudesse beneficiar-se momentaneamente dos efeitos magnéticos da sua irradiação. Mas ele quis saber quem era, de quem se tratava. Mereceria a dádiva?

Ao identificá-la, deve ter sido informado por seus assessores invisíveis que lhes reportaram o drama de 12 anos de sofrimento reparador. Jesus deve ter constado a purgação do exercício iluminativo – ou lhe concedido o indulto do saldo eventual, suprido pela imensa fé que demonstrara publicamente.

E nós? Qual o tamanho da nossa fé? Temos consciência de que nosso sofrimento é sempre  reparador ou de prova?  Ou achamos que os benfeitores espirituais, para nos convencerem do seu poder e caridade,  precisam vir com pompa e circunstância para nos prestar uma ajuda e só assim nos convencerem do amor divino?   Também cultivamos a certeza de  que basta dirigir o pensamento a eles, com fé integral, amor a Deus, com a confiança de que o sofrimento é trabalho,  que eleva e ilumina?

Diante dos benfeitores espirituais, também poderemos ouvir, na rotina de nossas vidas, às vezes tempestuosas, diante de fluxos de sangue inestancáveis ou outros serviços de dor que prestamos a nós mesmos:

“A sua fé a curou! Vá em paz e fique livre do seu sofrimento”.

25/09/18

Jesus e a hemoroíssa

OS MILAGRES DE JESUS – 14 – O ENDEMONINHADO GERASENO

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14 A CURA DE UM ENDEMONINHADO – UMA VISÃO ESPÍRITA

O TEXTO

26 Navegaram para a região dos gerasenos[a], que fica do outro lado do lago, frente à Galileia.

27 Quando Jesus pisou em terra, foi ao encontro dele um endemoninhado daquela cidade. Fazia muito tempo que aquele homem não usava roupas, nem vivia em casa alguma, mas nos sepulcros.

28 Quando viu Jesus, gritou, prostrou-se aos seus pés e disse em alta voz: “Que queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te que não me atormentes!”

29 Pois Jesus havia ordenado que o espírito imundo saísse daquele homem. Muitas vezes ele tinha se apoderado dele. Mesmo com os pés e as mãos acorrentados e entregue aos cuidados de guardas, quebrava as correntes, e era levado pelo demônio a lugares solitários.

30 Jesus lhe perguntou: “Qual é o seu nome?”

“Legião”, respondeu ele; porque muitos demônios haviam entrado nele. 31 E imploravam-lhe que não os mandasse para o Abismo.

32 Uma grande manada de porcos estava pastando naquela colina. Os demônios imploraram a Jesus que lhes permitisse entrar neles, e Jesus lhes deu permissão.

33 Saindo do homem, os demônios entraram nos porcos, e toda a manada atirou-se precipício abaixo em direção ao lago e se afogou.

34 Vendo o que acontecera, os que cuidavam dos porcos fugiram e contaram esses fatos, na cidade e nos campos,

35 e o povo foi ver o que havia acontecido. Quando se aproximaram de Jesus, viram que o homem de quem haviam saído os demônios estava assentado aos pés de Jesus, vestido e em perfeito juízo, e ficaram com medo.

36 Os que o tinham visto contaram ao povo como o endemoninhado fora curado.

37 Então, todo o povo da região dos gerasenos suplicou a Jesus que se retirasse, porque estavam dominados pelo medo. Ele entrou no barco e regressou.

38 O homem de quem haviam saído os demônios suplicava-lhe que o deixasse ir com ele; mas Jesus o mandou embora, dizendo:

39 “Volte para casa e conte o quanto Deus lhe fez”. Assim, o homem se foi e anunciou na cidade inteira o quanto Jesus tinha feito por ele.

Lucas 8:26-39 Nova Versão Internacional (NVI-PT)

(Ver também Mateus 8.28-33; Marcos 5.1-14.)

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Tratava-se, sem dúvida, de uma pessoa com um comportamento muito perturbado, aparentemente enfermo do ponto de vista da psiquiatria, pois vivia nu, solitário, junto aos sepulcros, em triste situação. Tido como agressivo, isolava-se, era segregado e deveria sofrer muito com o desprezo e o abandono.

J          esus passava pelo local onde o enfermo habitava (a cidade dos Gadarenos ou Gerasenos são  distintas, mas ambas se situam junto ao mar da Galileia, o que provoca alguma dúvida sobre qual cidade foi palco destes acontecimentos).

O homem identifica a posição de Jesus, assim que o vê:

“Quando viu Jesus, gritou, prostrou-se aos seus pés e disse em alta voz:  “Que queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te que não me atormentes!”

Evidentemente, tratava-se de um caso de cruel obsessão. O obsessor reconhecera a autoridade de Jesus e temia sua influência para obrigá-lo a libertar o obsidiado. Tratava-se de um espírito perverso,  vingativo, de comportamento odioso. Por que agia daquele modo? Vingança do passado, cobrança de erros pretéritos, tentativa de fazer justiça com as próprias mãos? Provavelmente.

Jesus quis saber o seu nome, quis interessar-se pelo seu drama.

“Legião”, respondeu ele; porque muitos demônios haviam entrado nele.  E imploravam-lhe que não os mandasse para o Abismo.

O homem andava sem roupas, isolado da sociedade. Evidentemente, o nível dos espíritos obsessores era  baixo, obscurecido pelo ódio, pelo desejo de vingança. Tão baixo que o próprio evangelista o classifica como “imundo”. Eles sabem que Jesus agirá para separá-los, temem sejam segregados em um “abismo”. Na triste condição em que vivem, jungidos a  um corpo material de onde sugam princípios vitais, sentem que terão dificuldades para sobreviver mesmo do ponto vista da vida espiritual, viciados que viviam sob o domínio da mediunidade obsessiva que se tornara um tormento recíproco.

Pedem para continuar ocupando algum corpo físico e sugerem  uma manada de porcos, já convencidos de que serão constrangidos a obedecer a Jesus, que não permite que eles continuem judiando do obsidiado, mas consente que eles se agreguem a uma manada de porcos, o que provoc a sua debandada e morte consequente, desagradando os cuidadores responsáveis por eles, levando estes a pedir ao Mestre que se afaste de suas terras, temendo seus poderes “sobrenaturais”.

A obsessão é muito mais comum  do que imaginamos.

André Luiz nos narra inúmeros casos, nos livros “Libertação”, “Nos domínios da Mediunidade”, “Desobsessão” entre outros.

Cada lar perturbado pelos vícios ou violência é um antro de “legiões” de espíritos obsessivos.

Cada agrupamento destinado ao crime,  retrata a mesma situação. Alguns lares congregam espíritos que se unem em abençoadas tarefas de ajustes reencarnatórios, e algumas “legiões” se formam nos lares e agrupamentos da Terra.

O que desmancha e subverte as legiões espirituais obsessivas? A prática do amor ao próximo, o perdão, o esquecimento das ofensas, a superação do ódio, a convivência amorosa.

Nos Centros Espíritas, deve sempre haver uma dia da semana destinado ao trabalho da  desobsessão, nos moldes recomendados por André Luiz e outros autores espirituais.

Muitas vezes é preciso mais do que simples pedidos escritos para “os guias”. Pode ser necessário entrevistar as “legiões” para reconciliar os provisoriamente inimigos, enquanto não perdoam o ódio e as mágoas cultivadas através de gerações.

Nas Casas Espíritas, ao invés de deixar as legiões se agarrarem a manadas de porcos, os medianeiros do bem devem incentivar a prática do exercício da empatia, da convergência, da conciliação, único caminho da paz que obsidiados e obsessores procuram.

Como Jesus resumiu:

“Amai-vos uns aos outros”.

21-09-18

Cura endemoninhado geraseno

OS MILAGRES DE JESUS – 13 – VISÃO ESPÍRITA

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13 – JESUS ACALMA A TEMPESTADE

23 E, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram;

24 E eis que no mar se levantou uma tempestade, tão grande que o barco era coberto pelas ondas; ele, porém, estava dormindo.

25 E os seus discípulos, aproximando-se, o despertaram, dizendo: Senhor, salva-nos! que perecemos.

26 E ele disse-lhes: Por que temeis, homens de pouca fé? Então, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande bonança.

27 E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?

Mateus 8:23-27 Ver também:  Marcos 4.35-41; Lucas 8.22-25)

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O “milagre” aqui consiste na interferência de Jesus em um fenômeno  da natureza.

Mateus detalha a ocorrência, narrando que o Mestre “repreendeu” os ventos e o mar, seguindo-se grande bonança.

No Livro dos Espíritos Kardec fala sobre a participação dos espíritos na produção dos fenômenos da Natureza, que, regra geral, seguem as leis gerais que os determinam, e sua produção se torna algo automático, preenchidas determinadas condições de pressão e temperatura.

Kardec nos esclarece que, apesar do automatismo, da repetição,  os fenômenos são presididos por grupos de espíritos que emprestam Inteligência aos fenômenos.

Sabendo disso e vendo o temor dos companheiros, Jesus resolve lhes dar uma demonstração do governo espiritual que existe na Terra, demonstrando que tudo segue determinados planos úteis, e nada acontece por acaso.

“Por que temeis, homens de pouca fé?”

Atuam na Terra espíritos de diversas categorias, nos planos físicos e espirituais. As ações se combinam, são dirigidas, coordenadas para que atinjam seus fins, sendo corrigidas quando o automatismo de rotina trouxer algum comportamento ou consequência indesejada.

Os Espíritos comandam tudo, o que não quer dizer que precisam encarregar-se de  cada um dos movimento, que seguem a leis gerais e autônomas. Mas que podem receber interferências se isso for para o bem geral de uma comunidade, por exemplo.

19/09/18

Jesus acalma a tempestade

OS MILAGRES DE JESUS – 12 – VISÃO ESPÍRITA

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CURA DE UM ENDEMONINHADO CEGO E  MUDO

O TEXTO

22 Trouxeram-lhe, então, um endemoninhado cego e mudo; e, de tal modo o curou, que o cego e mudo falava e via.

Mateus. 12:22

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Provavelmente a menor narrativa de um milagre contida no  Novo Testamento: um único versículo.

Mesmo  assim, muito se poderia dizer a respeito. Em primeiro lugar, se o levaram até o Mestre, é porque  o próprio enfermo (cego e mudo)  – e quem o levou – acreditavam nos poderes de Jesus para curar.

Arcava com graves padecimentos: não enxergava, não falava. Sendo um adulto, como provia o seu sustento, com tais incapacitações?

É  interessante notar que o evangelista já o classificava de “endemoninhado”, certamente julgando que a causa de seus problemas de saúde era uma obsessão espiritual.  Genericamente, chamavam o obsessor de “demônio”, mas isso que não queria dizer exatamente “ser dedicado ao mal”, mas espírito.

Mas se o espírito – ou espíritos – lhe causava tal sofrimento, não haveria de ser bom, embora também pudesse não ser mau, apenas vítima da confusão mental que ataca recém desencarnados que obsedam mais por ignorância e busca de apoio =- vítima ele próprio de uma enfermidade –  do que por deliberada ação vingativa para atormentar, fazer sofrer.  O texto não nos permite concluir com detalhes.

Entretanto,  Jesus o cura sem maiores delongas. Mas não o cura simplesmente, pois o texto destaca:

“…e, de tal modo o curou, que o cego e mudo falava e via.”

Como assim? Ora, Ele poderia tê-lo curado parcialmente: só restituir-lhe a visão ou a fala. Com certeza já seria um grande benefício, uma grande redução dos seus sofrimentos.

Mas, Jesus “de tal modo o curou”, que o curou completamente, certamente após ter verificado que ele cumprira seu resgate cármico, ou vivera até então de tal forma que já merecia um indulto que o Mestre poderia conceder-lhe. A equipe espiritual de Jesus deve tê-lo informado a respeito de sua situação espiritual e seus merecimentos.

Então, Jesus não fez pela metade.

Curou-o de tal modo que ele recuperou completamente a saúde, solucionando os dois problemas que o torturavam:

….”de tal modo o curou, que o cego e mudo falava e via.”

13-09-18

Cura do cego e mudo endemoninhado