PARÁBOLAS DO MESTRE JESUS – O FERMENTO – 24

fixo

PARÁBOLA DO FERMENTO

Outra parábola lhes disse: O reino dos céus é semelhante ao fermento, que uma mulher toma e introduz em três medidas de farinha, até que tudo esteja levedado.

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Algumas parábolas de Jesus são bem curtas. Parece que Ele focava uma imagem de forte efeito didático para basear os seus ensinamentos.

Quando pensamos em fermento, o que nos vêm à mente? A fabricação de massas que se expandem ao serem misturadas com ele, que tem efeito  multiplicador. Uma pequena quantidade se espalha tornando possível produzir muitos pães e alimentar muita gente;

O bem é contagioso, assim como o mal. Pessoas são influenciadas pelo comportamento de outras, numa dada comunidade ou conjunto de pessoas. Os jovens se estimulam entre si para tomarem certas atitudes que tornam padrão entre eles, o que leva à imitação por parte dos adolescentes, como por exemplo as aventuras,  as exibições atléticas e atitudes similares.

Mas podem, também, estimularem-se  em comportamentos nocivos, como a embriaguez e aventuras eróticas, até mesmo provocações ou humilhações de outros jovens que sofram limitações físicas ou intelectuais, para divertimento de grupos.

Bem, qualquer um que já tenha sido jovem,  se lembra de episódios semelhantes.

O que Jesus quis dizer com a parábola ? Quando percebemos a importância dos ensinos do Mestre no comportamento geral das sociedades constatamos que o bem é contagioso, quando as pessoas começam a notar que é melhor ser bom,  não roubar, não matar, não violentar, não ofender a castidade, não mentir, não trair, não abandonar os idosos ou incapazes.

Em resumo, é melhor para a sociedade que todos sejam bons e quando constatamos isso, um desejo de propagar a conveniência desses comportamentos nos assalta e temos vontade de ensinar isso a todo mundo, colegas de trabalho, membros da família, dos grupos comunitários.

Faz-me lembrar uma palestra de uma oradora espírita que eu jamais esqueci. O nome dela, se eu não me engano era Cristina, falando pela Federação Espírita de Mato Grosso..

Ela ensinou que a nossa adesão plena  ao  Espiritismo importa em 3 momentos:

  1. Quando entramos no Espiritismo: Chegamos curiosos, hesitantes, cheios de dúvidas, ouvindo os orientadores, lendo os primeiros livros, participando de grupos e estudos.
  2. Quando o Espiritismo entra em nós:  Quando nos convencemos da lógica das verdades da Doutrina: a Justiça da Reencarnação, a importância do amor ao próximo, convencendo-nos de que fora da prática do bem e da caridade não há mesmo outro caminho, outro conjunto de comportamentos para os membros de uma sociedade. Ficamos muito seguros disso e nada mais abala a nossa fé, a nossa certeza da sabedoria dos conceitos da religião que abraçamos.
  3. Quando o Espiritismo sai de nós: quando somos tomados por um desejo apaixonante de levar essas nossas convicções a outras pessoas, a colaborar com a transformação de amigos e conhecidos, familiares e companheiros da vida;  uma empatia profunda toma conta de nós e engajamo-nos de corpo-e-alma, transformando-nos em membro ativo e multiplicador, mesmo sem fazer o que se chama de proselitismo, mas influenciando pela força dos bons exemplos que passamos a oferecer, empenhando-nos a auxiliar todos aqueles cujas dificuldades de prova possam ser auxiliadas ou atenuadas pelo conhecimento da Doutrina.

Eu acho que isso é que é o efeito do fermento a que Jesus se referiu na parábola: a nossa contribuição pessoal se torna multiplicadora e produz mais pessoas que passam a desejar a transformação para encontrar o caminho da luz, ou seja “o reino dos Céus”.

23-07-18

Parábola-do-Fermento

 

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OS MILAGRES DE JESUS – 15 – VISÃO ESPÍRITA

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15 A CURA DA MULHER ENFERMA,  HEMOROÍSSA

O TEXTO

25E estava ali certa mulher que havia doze anos vinha sofrendo de hemorragia.

26Ela padecera muito sob o cuidado de vários médicos e gastara tudo o que tinha, mas, em vez de melhorar, piorava.

27Quando ouviu falar de Jesus, chegou por trás dele, no meio da multidão, e tocou em seu manto,

28porque pensava: “Se eu tão somente tocar em seu manto, ficarei curada”.

29Imediatamente cessou sua hemorragia e ela sentiu em seu corpo que estava livre do seu sofrimento.

30No mesmo instante, Jesus percebeu que dele havia saído poder, virou-se para a multidão e perguntou: “Quem tocou em meu manto?”

31Responderam os seus discípulos: “Vês a multidão aglomerada ao teu redor e ainda perguntas: ‘Quem tocou em mim?’ ”

32Mas Jesus continuou olhando ao seu redor para ver quem tinha feito aquilo.

33Então a mulher, sabendo o que lhe tinha acontecido, aproximou-se, prostrou-se aos seus pés e, tremendo de medo, contou-lhe toda a verdade.

34Então ele lhe disse: “Filha, a sua fé a curou! Vá em paz e fique livre do seu sofrimento”.

Marcos 5.25-34;  Ver também : Mateus 9:20-22 Lucas 8.43-48

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O corpo de Jesus deveria ser  irradiante de energias espirituais. Um médium que O observasse, tendo as propriedades mediúnicas adequadas, haveria de vê-Lo irradiante, qual se fora um dínamo jorrando recursos curadores por onde quer que passasse.

A mulher que havia 12 anos padecia de distúrbios de fluxo de sangue gastara tudo que tinha com médicos e fármacos, não encontrando a cura. Mas, sabendo da passagem de Jesus, foi intuída por amigos espirituais a se aproximar dele, recebendo espiritualmente a informação de que o Mestre poderia curá-la. Ele se dirige a ele, mas  envolvido pela multidão havia dificuldades para ser abordado. Mas sua fé a animava:

“Se eu tão somente tocar em seu manto, ficarei curada”.

De onde lhe veio convicção tão profunda? Acredito que sua confiança era estimulada por amigos espirituais, que conheciam suas lutas, seus sacrifícios..

Imediatamente cessou sua hemorragia e ela sentiu em seu corpo que estava livre do seu sofrimento.”

Por si só, isso já seria uma ocorrência maravilhosa. Mas acontece algo mais: Jesus – que deveria estar sempre em comunhão com os seres que apascentava –  percebe que de seu corpo partiram energias curadoras, ainda que não vendo a pessoa que requisitara seus benefícios terapêuticos,  mesmo sem abordá-lo diretamente.

No mesmo instante, Jesus percebeu que dele havia saído poder, virou-se para a multidão e perguntou: “Quem tocou em meu manto?”

Impressionante, a consciência que Ele possuía da sua capacidade radioativa. Aliás, todos nós somos seres radioativos, enquanto espíritos, encarnados ou não. Mas Jesus deveria sê-lo em escala muito superior.

“Vês a multidão aglomerada ao teu redor e ainda perguntas: ‘Quem tocou em mim?’ ”

Sim, Jesus deve ter percebido o magnetismo da fé de quem lhe requisitara a cura, tamanha teria sido a fé que motivou a mulher enferma.

Mas Jesus continuou olhando ao seu redor para ver quem tinha feito aquilo.

A mulher teve medo, talvez de ser censurada por usar recursos de um grande benfeitor sem previa autorização.

Então a mulher, sabendo o que lhe tinha acontecido, aproximou-se, prostrou-se aos seus pés e, tremendo de medo, contou-lhe toda a verdade.”

Mas, provavelmente, Jesus queria apenas identificar tamanha fé, e usar a ocorrência como um exemplo de certeza grandiosa, capaz de produzir grandes efeitos, muito acima do que nosso cotidiano pode proporcionar, por mais eloquentes sejam as palavras com as quais queiramos demonstrar publicamente nossa confiança nos poderes do nosso Criador e dos seus prepostos, entre os quais O Mestre se destacou por sua sabedoria, empatia e bondade.

“Filha, a sua fé a curou! Vá em paz e fique livre do seu sofrimento”.

 

Interessante destacar que na visão de Jesus, faltava algo para completar o milagre. Receber o influxo que paralisara a hemorragia parecia-lhe não ser suficiente. Talvez qualquer um pudesse beneficiar-se momentaneamente dos efeitos magnéticos da sua irradiação. Mas ele quis saber quem era, de quem se tratava. Mereceria a dádiva?

Ao identificá-la, deve ter sido informado por seus assessores invisíveis que lhes reportaram o drama de 12 anos de sofrimento reparador. Jesus deve ter constado a purgação do exercício iluminativo – ou lhe concedido o indulto do saldo eventual, suprido pela imensa fé que demonstrara publicamente.

E nós? Qual o tamanho da nossa fé? Temos consciência de que nosso sofrimento é sempre  reparador ou de prova?  Ou achamos que os benfeitores espirituais, para nos convencerem do seu poder e caridade,  precisam vir com pompa e circunstância para nos prestar uma ajuda e só assim nos convencerem do amor divino?   Também cultivamos a certeza de  que basta dirigir o pensamento a eles, com fé integral, amor a Deus, com a confiança de que o sofrimento é trabalho,  que eleva e ilumina?

Diante dos benfeitores espirituais, também poderemos ouvir, na rotina de nossas vidas, às vezes tempestuosas, diante de fluxos de sangue inestancáveis ou outros serviços de dor que prestamos a nós mesmos:

“A sua fé a curou! Vá em paz e fique livre do seu sofrimento”.

25/09/18

Jesus e a hemoroíssa

OS MILAGRES DE JESUS – 14 – O ENDEMONINHADO GERASENO

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14 A CURA DE UM ENDEMONINHADO – UMA VISÃO ESPÍRITA

O TEXTO

26 Navegaram para a região dos gerasenos[a], que fica do outro lado do lago, frente à Galileia.

27 Quando Jesus pisou em terra, foi ao encontro dele um endemoninhado daquela cidade. Fazia muito tempo que aquele homem não usava roupas, nem vivia em casa alguma, mas nos sepulcros.

28 Quando viu Jesus, gritou, prostrou-se aos seus pés e disse em alta voz: “Que queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te que não me atormentes!”

29 Pois Jesus havia ordenado que o espírito imundo saísse daquele homem. Muitas vezes ele tinha se apoderado dele. Mesmo com os pés e as mãos acorrentados e entregue aos cuidados de guardas, quebrava as correntes, e era levado pelo demônio a lugares solitários.

30 Jesus lhe perguntou: “Qual é o seu nome?”

“Legião”, respondeu ele; porque muitos demônios haviam entrado nele. 31 E imploravam-lhe que não os mandasse para o Abismo.

32 Uma grande manada de porcos estava pastando naquela colina. Os demônios imploraram a Jesus que lhes permitisse entrar neles, e Jesus lhes deu permissão.

33 Saindo do homem, os demônios entraram nos porcos, e toda a manada atirou-se precipício abaixo em direção ao lago e se afogou.

34 Vendo o que acontecera, os que cuidavam dos porcos fugiram e contaram esses fatos, na cidade e nos campos,

35 e o povo foi ver o que havia acontecido. Quando se aproximaram de Jesus, viram que o homem de quem haviam saído os demônios estava assentado aos pés de Jesus, vestido e em perfeito juízo, e ficaram com medo.

36 Os que o tinham visto contaram ao povo como o endemoninhado fora curado.

37 Então, todo o povo da região dos gerasenos suplicou a Jesus que se retirasse, porque estavam dominados pelo medo. Ele entrou no barco e regressou.

38 O homem de quem haviam saído os demônios suplicava-lhe que o deixasse ir com ele; mas Jesus o mandou embora, dizendo:

39 “Volte para casa e conte o quanto Deus lhe fez”. Assim, o homem se foi e anunciou na cidade inteira o quanto Jesus tinha feito por ele.

Lucas 8:26-39 Nova Versão Internacional (NVI-PT)

(Ver também Mateus 8.28-33; Marcos 5.1-14.)

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Tratava-se, sem dúvida, de uma pessoa com um comportamento muito perturbado, aparentemente enfermo do ponto de vista da psiquiatria, pois vivia nu, solitário, junto aos sepulcros, em triste situação. Tido como agressivo, isolava-se, era segregado e deveria sofrer muito com o desprezo e o abandono.

J          esus passava pelo local onde o enfermo habitava (a cidade dos Gadarenos ou Gerasenos são  distintas, mas ambas se situam junto ao mar da Galileia, o que provoca alguma dúvida sobre qual cidade foi palco destes acontecimentos).

O homem identifica a posição de Jesus, assim que o vê:

“Quando viu Jesus, gritou, prostrou-se aos seus pés e disse em alta voz:  “Que queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te que não me atormentes!”

Evidentemente, tratava-se de um caso de cruel obsessão. O obsessor reconhecera a autoridade de Jesus e temia sua influência para obrigá-lo a libertar o obsidiado. Tratava-se de um espírito perverso,  vingativo, de comportamento odioso. Por que agia daquele modo? Vingança do passado, cobrança de erros pretéritos, tentativa de fazer justiça com as próprias mãos? Provavelmente.

Jesus quis saber o seu nome, quis interessar-se pelo seu drama.

“Legião”, respondeu ele; porque muitos demônios haviam entrado nele.  E imploravam-lhe que não os mandasse para o Abismo.

O homem andava sem roupas, isolado da sociedade. Evidentemente, o nível dos espíritos obsessores era  baixo, obscurecido pelo ódio, pelo desejo de vingança. Tão baixo que o próprio evangelista o classifica como “imundo”. Eles sabem que Jesus agirá para separá-los, temem sejam segregados em um “abismo”. Na triste condição em que vivem, jungidos a  um corpo material de onde sugam princípios vitais, sentem que terão dificuldades para sobreviver mesmo do ponto vista da vida espiritual, viciados que viviam sob o domínio da mediunidade obsessiva que se tornara um tormento recíproco.

Pedem para continuar ocupando algum corpo físico e sugerem  uma manada de porcos, já convencidos de que serão constrangidos a obedecer a Jesus, que não permite que eles continuem judiando do obsidiado, mas consente que eles se agreguem a uma manada de porcos, o que provoc a sua debandada e morte consequente, desagradando os cuidadores responsáveis por eles, levando estes a pedir ao Mestre que se afaste de suas terras, temendo seus poderes “sobrenaturais”.

A obsessão é muito mais comum  do que imaginamos.

André Luiz nos narra inúmeros casos, nos livros “Libertação”, “Nos domínios da Mediunidade”, “Desobsessão” entre outros.

Cada lar perturbado pelos vícios ou violência é um antro de “legiões” de espíritos obsessivos.

Cada agrupamento destinado ao crime,  retrata a mesma situação. Alguns lares congregam espíritos que se unem em abençoadas tarefas de ajustes reencarnatórios, e algumas “legiões” se formam nos lares e agrupamentos da Terra.

O que desmancha e subverte as legiões espirituais obsessivas? A prática do amor ao próximo, o perdão, o esquecimento das ofensas, a superação do ódio, a convivência amorosa.

Nos Centros Espíritas, deve sempre haver uma dia da semana destinado ao trabalho da  desobsessão, nos moldes recomendados por André Luiz e outros autores espirituais.

Muitas vezes é preciso mais do que simples pedidos escritos para “os guias”. Pode ser necessário entrevistar as “legiões” para reconciliar os provisoriamente inimigos, enquanto não perdoam o ódio e as mágoas cultivadas através de gerações.

Nas Casas Espíritas, ao invés de deixar as legiões se agarrarem a manadas de porcos, os medianeiros do bem devem incentivar a prática do exercício da empatia, da convergência, da conciliação, único caminho da paz que obsidiados e obsessores procuram.

Como Jesus resumiu:

“Amai-vos uns aos outros”.

21-09-18

Cura endemoninhado geraseno

OS MILAGRES DE JESUS – 13 – VISÃO ESPÍRITA

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13 – JESUS ACALMA A TEMPESTADE

23 E, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram;

24 E eis que no mar se levantou uma tempestade, tão grande que o barco era coberto pelas ondas; ele, porém, estava dormindo.

25 E os seus discípulos, aproximando-se, o despertaram, dizendo: Senhor, salva-nos! que perecemos.

26 E ele disse-lhes: Por que temeis, homens de pouca fé? Então, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande bonança.

27 E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?

Mateus 8:23-27 Ver também:  Marcos 4.35-41; Lucas 8.22-25)

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O “milagre” aqui consiste na interferência de Jesus em um fenômeno  da natureza.

Mateus detalha a ocorrência, narrando que o Mestre “repreendeu” os ventos e o mar, seguindo-se grande bonança.

No Livro dos Espíritos Kardec fala sobre a participação dos espíritos na produção dos fenômenos da Natureza, que, regra geral, seguem as leis gerais que os determinam, e sua produção se torna algo automático, preenchidas determinadas condições de pressão e temperatura.

Kardec nos esclarece que, apesar do automatismo, da repetição,  os fenômenos são presididos por grupos de espíritos que emprestam Inteligência aos fenômenos.

Sabendo disso e vendo o temor dos companheiros, Jesus resolve lhes dar uma demonstração do governo espiritual que existe na Terra, demonstrando que tudo segue determinados planos úteis, e nada acontece por acaso.

“Por que temeis, homens de pouca fé?”

Atuam na Terra espíritos de diversas categorias, nos planos físicos e espirituais. As ações se combinam, são dirigidas, coordenadas para que atinjam seus fins, sendo corrigidas quando o automatismo de rotina trouxer algum comportamento ou consequência indesejada.

Os Espíritos comandam tudo, o que não quer dizer que precisam encarregar-se de  cada um dos movimento, que seguem a leis gerais e autônomas. Mas que podem receber interferências se isso for para o bem geral de uma comunidade, por exemplo.

19/09/18

Jesus acalma a tempestade

OS MILAGRES DE JESUS – 12 – VISÃO ESPÍRITA

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CURA DE UM ENDEMONINHADO CEGO E  MUDO

O TEXTO

22 Trouxeram-lhe, então, um endemoninhado cego e mudo; e, de tal modo o curou, que o cego e mudo falava e via.

Mateus. 12:22

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Provavelmente a menor narrativa de um milagre contida no  Novo Testamento: um único versículo.

Mesmo  assim, muito se poderia dizer a respeito. Em primeiro lugar, se o levaram até o Mestre, é porque  o próprio enfermo (cego e mudo)  – e quem o levou – acreditavam nos poderes de Jesus para curar.

Arcava com graves padecimentos: não enxergava, não falava. Sendo um adulto, como provia o seu sustento, com tais incapacitações?

É  interessante notar que o evangelista já o classificava de “endemoninhado”, certamente julgando que a causa de seus problemas de saúde era uma obsessão espiritual.  Genericamente, chamavam o obsessor de “demônio”, mas isso que não queria dizer exatamente “ser dedicado ao mal”, mas espírito.

Mas se o espírito – ou espíritos – lhe causava tal sofrimento, não haveria de ser bom, embora também pudesse não ser mau, apenas vítima da confusão mental que ataca recém desencarnados que obsedam mais por ignorância e busca de apoio =- vítima ele próprio de uma enfermidade –  do que por deliberada ação vingativa para atormentar, fazer sofrer.  O texto não nos permite concluir com detalhes.

Entretanto,  Jesus o cura sem maiores delongas. Mas não o cura simplesmente, pois o texto destaca:

“…e, de tal modo o curou, que o cego e mudo falava e via.”

Como assim? Ora, Ele poderia tê-lo curado parcialmente: só restituir-lhe a visão ou a fala. Com certeza já seria um grande benefício, uma grande redução dos seus sofrimentos.

Mas, Jesus “de tal modo o curou”, que o curou completamente, certamente após ter verificado que ele cumprira seu resgate cármico, ou vivera até então de tal forma que já merecia um indulto que o Mestre poderia conceder-lhe. A equipe espiritual de Jesus deve tê-lo informado a respeito de sua situação espiritual e seus merecimentos.

Então, Jesus não fez pela metade.

Curou-o de tal modo que ele recuperou completamente a saúde, solucionando os dois problemas que o torturavam:

….”de tal modo o curou, que o cego e mudo falava e via.”

13-09-18

Cura do cego e mudo endemoninhado

OS MILAGRES DE JESUS – 11 – VISÃO ESPIRITA

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A CURA DO FILHO DA VIÚVA DE NAIM

O TEXTO

11 Logo depois, Jesus foi a uma cidade chamada Naim, e com ele iam os seus discípulos e uma grande multidão.

12 Ao se aproximar da porta da cidade, estava saindo o enterro do filho único de uma viúva; e uma grande multidão da cidade estava com ela.

13 Ao vê-la, o Senhor se compadeceu dela e disse: “Não chore”.

14 Depois, aproximou-se e tocou no caixão, e os que o carregavam pararam. Jesus disse: “Jovem, eu lhe digo, levante-se! ”

15 Ele se levantou, sentou-se e começou a conversar, e Jesus o entregou à sua mãe.

Lucas 7:11-15

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Mais uma vez Jesus surpreende com a sua empatia, diante de alguém que Ele encontra suportando um grande sofrimento.

Ele se depara com uma viúva – uma mulher que perdera o marido e  enfrentava naquela época, grandes lutas para sua sobrevivência – e nota suas dores exacerbadas diante da morte adicional do seu único filho. Realmente, enfrentava uma grande prova, de tal forma que uma grande multidão a acompanhava, penalizada.

“Ao vê-la, o Senhor se compadeceu dela e disse: “Não chore”.

A essa altura, a equipe espiritual  do Mestre já deveria ter apresentado a ficha completa do menino que desencarnara, agravando a prova de sua mãe.

Mas, Jesus, ao tocar no caixão, teria mesmo ressuscitado a criança, contrariando um processo que certamente seguia as próprias  Leis de Deus? Jesus faria isso, desobedecendo  uma lei divina? A morte, em si, não é uma tragédia, uma desgraça. As vidas todas terão um fim, conforme seus respectivos projetos, e  durarão mais ou menos, sempre em consonância com as necessidades cármicas e/ou de aprendizado através da prova.

Se a morte ocorreu, era porque tenha que ter ocorrido (salvo crime ou negligência de alguém que errou ao permitir que ela a acontecesse, contrariando o contexto previsto) .Jesus não afrontaria essa Lei eterna, formulada por Deus nosso Pai, e que rege todas as vidas no planeta.

Então, para mim, a morte do filho da viúva de Naim não era uma morte real. Existem os casos das mortes aparentes. Pessoas podem ser dadas como falecidas sem que isso na realidade tenha mesmo ocorrido.

Existe um fenômeno chamado LETARGIA.

Letargia, em “O Livro dos Espíritos” significa um estado de “perda temporária da sensibilidade e do movimento”, em que o corpo parece morto, no qual os sinais vitais se tornam quase imperceptíveis, a respiração reduz-se bastante e a pessoa pode ser tomada como morta.

Poderia ser o caso. A equipe espiritual de Jesus poderia ter percebido isso  logo que Jesus cruzou com o séquito que,  consternado,  acompanhava o sepultamento.

Acontecia somente naquele tempo? Obviamente não, acontece também nos dias de hoje. Apenas, presentemente temos mais ferramental e mais recursos para  diagnosticar a “morte aparente”. Isso daria um texto bem mais longo. Mas prometi que não ia me meter em questões científicas, que não domino.

Quero destacar o fato: Jesus não desobedeceria nem faria desobedecer a lei da desencarnação, que não é nenhuma desgraça, em que pese a dor da separação e da saudade.

O que houve foi que Jesus, com dotes espirituais muito superiores –  percebeu logo,  ou foi advertido por sua equipe – que no caso o menino realmente não havia morrido. Havia um engano, por conta desse engano ele foi dado como morto e estava sendo sepultado.

“Depois, aproximou-se e tocou no caixão, e os que o carregavam pararam. Jesus disse: “Jovem, eu lhe digo, levante-se! ”

E confirmando o seu diagnóstico – lembremo-nos de que Jesus detinha profundos conhecimentos  de medicina espiritual  – a criança se recupera, ou seja, desperta, do estado sonambúlico em que se encontrava.

“Ele se levantou, sentou-se e começou a conversar, e Jesus o entregou à sua mãe.”

Só para complementar, vou citar apenas um caso relativamente contemporâneo em que ocorreu algo semelhante:

“Yvonne Pereira, médium brasileira, quase foi enterrada na tenra infância por ter sido considerada morta pelos médicos (letargia).”

https://espiritismocomentado.blogspot.com/2008/09/letargia-e-catalepsia.html

O caso do filho da viúva de Naim foi um milagre menor por que podemos ver nele uma explicação racional? É claro que não. Em todos os casos entraremos  a racionalidade do procedimento de Jesus. Apenas parecem sobrenaturais, simplesmente porque ainda não atingimos o nível que nos permite conhecer as respectivas explicações cientificas.

12-09-18

Filho da viua de Naim

OS MILAGRES DE JESUS – 10 – UMA VISÃO ESPÍRITA

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A CURA DO SERVO DO CENTURIÃO

5 E, entrando Jesus em Cafarnaum, chegou junto dele um centurião, rogando-lhe,

6 E dizendo: Senhor, o meu criado jaz em casa, paralítico, e violentamente atormentado.

7 E Jesus lhe disse: Eu irei, e lhe darei saúde.

8 E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar.

9 Pois também eu sou homem sob autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu criado: Faze isto, e ele o faz.

10 E maravilhou-se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé.

11 Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus;

12 E os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.

13 Então disse Jesus ao centurião: Vai, e como creste te seja feito. E naquela mesma hora o seu criado sarou. Mateus 8:13

Ver também  Lucas 7.1-10

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Mais um caso em que Jesus enfatiza profundamente o valor da fé.

Um centurião está com um dos seus servidores gravemente enfermo. Muito respeitado por pessoas religiosas que o conheciam,  em função de  boas obras que fazia (isso está escrito no evangelho de São Lucas), elas chegaram a interceder por ele: Jesus se sensibiliza e se dispõe a ir visitá-lo.

“Eu irei, e lhe darei saúde”.

Homem humilde, conquanto poderoso, o centurião se opõe, demonstrando profunda fé, embora servisse às hostes romanas:

“Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar.”

Jesus fica admirado com tanta fé:

“Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé. “

O centurião transmitiu o alicerce de tanta fé, demonstrando que acreditava no poder de Jesus por pressupor,  talvez.  a ligação que certamente haveria entre Jesus e um grupo de espíritos elevados que o acompanhavam. Talvez até especulasse que se tratava de um caso de obsessão (“ …o meu criado jaz em casa, paralítico, e violentamente atormentado”. Mas, de qualquer forma declara a confiança que lhe vai dentro da alma:

“Pois também eu sou homem sob autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu criado: Faze isto, e ele o faz.”

Talvez ele se referisse ao poder que Jesus tinha de manipular energias da natureza, supondo que o Mestre “mandasse” nessas energias, desse “”ordens” a elas.

Mas de qualquer forma Jesus surpreendeu-se com tamanha demonstração de confiança.

“Então disse Jesus ao centurião: Vai, e como creste te seja feito”

Nesse momento, a falange de espíritos da equipe de Jesus já deveriam ter feito o seu trabalho, certamente em sintonia espiritual com o Mestre.

Mais um detalhe nos surpreende: “Como creste te seja feito!. Quer dizer que o que recebemos dos bons espíritos o recebemos na PROPORÇÁO  da nossa fé?  Parece que sim!

Suponho eu que a nossa fé cria um ambiente magnético-espiritual que facilita  mais – ou menos –  a ação dos servidores do mundo invisível.  Quanto mais profunda for nossa confiança, mais energias produziremos para melhorar o ambiente em que os espíritos superiores atuarão. Numa fé artificial, demonstrada apenas superficialmente, pouco talvez possa ser feito. Mas num ambiente inundado pelo magnetismo de uma fé transbordante, os médicos espirituais realizariam suas curas mundo mais facilmente. Operariam o que costumamos chamar de “milagres”.

Por isso tantas vezes Jesus destacou a  fé demonstrada por quem lhe pedia alguma ajuda.

“A tua fé te salvou.”,   “Seja conforme creste.”

Isso sugere que podemos desenvolver nossa fé, podemos cultivá-la, engrandecê-la, escaloná-la, a tal ponto que ao pedir a ajuda de espíritos amigos, eles possam nos dizer, respondendo com suas ações em benefício de nós mesmos ou de alguém objeto de nossa sensibilidade e empatia: “Será feito conforme creste”.

“Será feito o que puder ser feito, em razão do estágio das provas e na proporção da fé real que estais demonstrando neste momento”.

NOTA: A foto que eu escolhi é uma cena do filme “Jesus de Nazaré”,  onde se destaca a esplêndida atuação do ator “Ernest Borgnine”, numa magistral interpretação do centurião que procura Jesus.

11-09-18

A cura do servo do centurião

OS MILAGRES DE JESUS – 09 -UMA VISÃO ESPÍRITA

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A CURA DO HOMEM QUE TINHA UMA DAS MÃOS MIRRADA

O TEXTO

9 E, partindo dali, chegou à sinagoga deles.

10 E estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada; e eles, para acusarem Jesus, o interrogaram, dizendo: É lícito curar nos sábados?

11 E ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que, tendo uma ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não lançará mão dela e a levantará?

12 Pois quanto mais vale um homem do que uma ovelha? É, por consequência, lícito fazer bem nos sábados.

13 Então disse àquele homem: Estende a mão. E ele a estendeu, e ficou sã como a outra.

Mateus 12.9-13;   Veja também: Marcos 3.1-5; Lucas 6.6-10)

COMENTÁRIOS

 

Em cada um dos milagres de Jesus há um aspecto interessante a destacar, a  tal ponto que a própria cura – já pelos estudiosos esperada como algo normal  – partindo de um ser da magnitude de Jesus Cristo –  ganha um aspecto secundário, se nos colocamos do ponto de vista  do Espiritismo.

Portanto, nem faz tão indispensável lembrar que  o homem que tinha a mão ressequida ou atrofiada era um espírito  finalizando seu resgate de débitos passados, e que, sob a autorização e condução do Mestre, foi submetido aos cuidados da equipe de Espíritos que o acompanhavam. Isso já nos soa como obvio.

No caso, chama a atenção a preocupação dos religiosos ortodoxos da época que, incomodados com os poderes de Jesus, e com as  concessões que Ele obtinha  do Pai Criador em nível superior ao que eles próprios obtinham,  isso os diminuía em prestígio e conceito perante o povo .

Jesus, como sempre, acotovelava-se com a multidão. Era bem provável que alguém lhe pedisse o favor de alguma cura.

“E estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada”

Como era um sábado, os invejosos usaram , como pretexto para acusá-lo,  a tentativa de  surpreendê-lo em falta diante do 3 º mandamento da Lei de Deus, um dos 10 transmitidos por Moisés no Monte Sinai:

“3º Lembra-te de santificar o dia do sábado.”

Para mim,  a inclusão desse mandamento deveu-se unicamente à necessidade de que os homens, por uma questão de saúde, seguissem uma regra salutar de imporem-se um descanso semanal,  aproveitando para consagrá-lo ao culto ao Pai Todo Poderoso, rendendo-lhe uma rotina de gratidão, reforçando a conveniência de uma parada salutar diante de homens eventualmente gananciosos – não fora a regra imposta.

Obviamente não  é possível conceber que trabalhar aos sábados  constituía um  pecado grave. A proibição visava a um bem maior, de caráter sociológico, de preservação da saúde  de toda uma raça.

Tanto assim, que o Mestre responde serenamente, quando questionado sobre o “trabalho aos sábados”:

“….e eles, para acusarem Jesus, o interrogaram, dizendo: É lícito curar nos sábados?”

“E ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que, tendo uma ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não lançará mão dela e a levantará?”

Deixando evidente que certamente haveria muitas exceções que justificariam o trabalho num dia consagrado ao descanso semanal,  e deixando claro que Jesus percebera que a questão levantada era apenas uma provocação, uma armadilha para supostamente surpreendê-lo em falta diante da Lei Mosaica. Contraditando a hipocrisia, volta-se ao doente:

“Então disse àquele homem: Estende a mão. E ele a estendeu, e ficou sã como a outra”

Em várias outras ocasiões Jesus exortava para que as pessoas distinguissem o essencial do acessório. Ora, diante de uma pessoa enferma, diante da possibilidade de fazer o bem a um doente, o que era mais importante, cumprir um regra genérica e disciplinante ou fazer o bem, auxiliar alguém necessitado? Então,   exemplifica o seu ensino mais constante, que demonstrava sempre, em função de  sua empatia diante do sofrimento humano:

“Amai-vos uns aos outros”

10-09-18

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