DIA DAS MÃES

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Sobre as mães sempre há muito que dizer. Não há quem não se emocione. Cada filho tem uma visão específica, cada mãe é de um jeito em relação a cada filho. No mundo não caberiam todos os livros que se poderiam escrever sobre as mães.

Eu,  particularmente,  fui notando que à medida que o tempo foi passando – e eu envelhecendo – meus conceitos sobre mãe foram se aperfeiçoando. Cada vez que vejo uma criança, rindo ou chorando, brincando, hesitando, no colo ou andando, eu me emociono. E lembro dos sacrifícios de atos de amor que as mães consagram aos filhos. Os homens – desculpem-me os homens – jamais alcançarão esse nível espiritual, essa aproximação da Divindade que as mulheres conseguem.

Não viemos a este mundo a passeio. Uma das nossas missões é gerar os filhos que darão continuidade à vida.

Como disse, cada filho vê a mãe por um prisma, cada mãe vê seu filhote de um jeito. O que há em comum é o amor. O amor incontrolável, imarcescível que brota dos nossos corações quando o assunto é MÃE.

Uma coisa permanece – e isso eu acho que é comum em todos nós que somos filhos – o desejo de que ela estivesse sempre presente,

Deus expressa o seu amor ao mundo, delegando às mães o exercício do Seu amor infinito, para que ame os filhos dele que estão no  mundo,  em nome dEle.

Já não sou criança (rsrsrs) e ainda sinto a falta de minha mãe, dona Rosalina, uma mulher guerreira, uma santa protetora sobre quem há muito a  dizer. Daria um livro!

Mandei colocar no seu túmulo uma placa com uma expressão que para mim simboliza a vida dela: “Rosalina Lopes Alves: luta, renúncia e sacrifício por amor aos filhos”.

Para não encompridar muito, homenageando as mães  no dia de hoje resolvei publicar duas poesias: uma de minha autoria em homenagem à minha mãe; e outra de Coelho Neto, obra-prima da Literatura Brasileira, infelizmente assunto mal estudado em nossas escolas, pela deturpação atual da nossa cultura para fins políticos, o que é uma pena, Mas vamos lá.

 

QUE NOME TEM ? 

Que nome tem aquela luz

Que minha vida iluminou

E até hoje lá do Céu me ilumina ?

Seu nome é Rosalina.

Que nome tem aquela tigresa

Que com garra e destreza,

Com luta e amor os filhos sustentou,

Haurindo de Deus força divina ?

Seu nome é Rosalina

Que nome tem a dona da voz

Que cantava quando a sós

Encantando a todos nós,

Como quem as dores da vida afina?

Seu nome é Rosalina

Que nome tem aquele anjo noturno

Que nos meus pesadelos soturnos

Surgia afastando a cortina

Para ver o que acontecia

Que o sexto sentido de mãe pressentia?

Seu nome é Rosalina

Que nome tem a mulher inesquecível

Linda de olhos verdes e cabelos negros

Forte e lutadora, de caráter íntegro

Tão tenaz e tão sensível

Ser celeste de luz safirina?

É a mulher santa, moral cristalina,

Que por mãe me deu o Criador

Para que nunca me faltasse amor.

Seu nome é Rosalina.

————————– Gilberto Alves  18/05/2014

SER MÃE

Ser mãe é desdobrar fibra por fibra
o coração! Ser mãe é ter no alheio
lábio que suga, o pedestal do seio,
onde a vida, onde o amor, cantando, vibra.

Ser mãe é ser um anjo que se libra
sobre um berço dormindo!  É ser anseio,
é ser temeridade, é ser receio,
é ser força que os males equilibra!

Todo o bem que a mãe goza é bem do filho,

espelho em que se mira afortunada,
Luz que lhe põe nos olhos novo brilho!

Ser mãe é andar chorando num sorriso!
Ser mãe é ter um mundo e não ter nada!
Ser mãe é padecer num paraíso!
Coelho Neto

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ESTUDANDO A MEDIUNIDADE – MARTINS PERALVA – FINAL

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AGRADECIMENTOS. A obra de André Luiz nas revelações e descrições do que ocorre no plano espiritual é um grande passo na evolução do movimento espírita na Terra. Assessorado por Emmanuel, nos traz preciosas e transformadoras revelações, qual repórter surpreso e encantado que se apressa em transmitir, entusiasmado, aos seus leitores, informações sobre revelações a que teve acesso e quer compartilhar. Emmanuel até o compara ao Peixinho Vermelho da lenda egípcia, que tem um comportamento semelhante em relação aos seus companheiros de um grande lago em que viviam ociosos e desinteressados de qualquer mudança, gorduchos e pachorrentos.

Sugiro aos meus amigos estudarem as obras de André Luiz. “Missionários da Luz”, “Libertação”, “Ação e Reação”, “Obreiros da Vida Eterna”,  entre outros, trazem revelações tão enriquecedoras que para mim significam um grande passo à frente na história do Espiritismo, uma etapa que se cumpriu nos Planos Divinos para ajudar a evoluir os habitantes deste planeta.

“O esforço de André Luis, buscando acender luz nas trevas, é semelhante à missão do peixinho vermelho.

Encantado com as descobertas do caminho infinito, realizadas depois de muitos conflitos no sofrimento, volve aos recôncavos da Crosta Terrestre, anunciando aos antigos companheiros que, além dos cubículos em que se movimentam, resplandece outra vida, mais intensa e mais bela, exigindo, porém, acurado aprimoramento individual para a travessia da estreita passagem de acesso às claridades da sublimação.

Fala, informa, prepara, esclarece …” (Emmanuel).

Guardadas as devidas proporções, minha intenção aqui foi da mesma natureza; Transmitir aos meus amigos deste grupo revelações que nos podem ajudar a progredir espiritualmente, neste caso a partir de melhores informações sobre a mediunidade.

Eu acho que fui mediunicamente assessorado por algum amigo espiritual quando redigia os preâmbulos, principalmente quando ficava em dúvida sobre como prefaciar os textos de Martins Peralva. Bem, acho que deu tudo certo. Está concluído o trabalho, voltaremos com outros livros.

 

46  ASSIM  SEJA
Concluindo a nossa tarefa, não podemos esquecer os Amigos Espirituais que nos ajudaram, no silêncio das horas mortas…
A esses Benfeitores creditamos o júbilo de termos levado até o final esta
humilde empresa doutrinária, na qual esperamos vejam todos os companheiros
simplesmente o testemunho de nosso devotamento ao Espiritismo Cristão —
Sublime Edifício devido, na Terra, ao Excelso Espírito de Allan Kardec.
Assim sendo, tributando-lhes a nossa carinhosa homenagem, encerramos as páginas deste livro com a prece proferida pelo querido André Luiz, ao término da maravilhosa excursão realizada na venerável companhia do Assistente Áulus e de Hilário.
A todos os Espíritos que comparecem nas páginas de «Nos Domínios da Mediunidade» e a outros que nos ajudaram, ocultamente, o nosso respeito e o nosso afeto.
A eles pedimos, com toda a veneração, sejam portadores ao Divino Senhor
da comovida mensagem de gratidão de nossa alma:
“Senhor Jesus!
Faze-nos dignos daqueles que espalham a verdade e o amor.
Acrescenta os tesouros da sabedoria nas almas que se engrandecem no
amparo aos semelhantes.
Ajuda aos que se despreocupam de si mesmos, distribuindo em teu Nome
a esperança e a paz…
Ensina-nos a honrar-te os discípulos fiéis com o respeito e o carinho que
lhes devemos.
Extirpa do campo de nossas almas a erva daninha da indisciplina e do orgulho, para que a simplicidade nos favoreça a renovação.
Não nos deixes confiados à própria cegueira e guia-nos o passo, no rumo daqueles companheiros que se elevam, humilhando-se, e que por serem nobres e grandes, diante de ti, não se sentem diminuídos, em se fazendo pequeninos, a fim de auxiliar-nos…
Glorifica-os, Senhor, coroando-lhes a fronte com os teus lauréis de luz!…”
Assim seja.
Fim

ESTUDANDO A MEDIUNIDADE – MARTINS PERALVA – 45

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QUE FAÇO COM A MINHA MEDIUNIDADE? Há muito a dizer sobre mediunidade. Envolveria compêndios, tempo,  competência e conhecimentos diversificados. Neste capítulo, é feito um resumo da jornada de estudos de André Luiz no livro “Nos domínios da Mediunidade” e uma classificação sobre o que se faz com a mediunidade, para que ela serve. À parte o seu uso para questões da medicina e da ciência – absolutamente fora da nossa capacidade  – gostaríamos de enfatizar o uso da nossa mediunidade simplesmente para fazer o bem. Não é preciso tanto estudo assim. Lembro, mais uma vez, o trabalho da dona Rosa Benzedeira, que – suponho – jamais leu um livro espírita. Nem a dona Nena da família Travain que  benzia “mau-jeito” à distância e era católica (acho que nunca foi a um Centro Espírita). Não estou dizendo que não se deve estudar, pelo contrário; até porque é para isso mesmo que criamos o grupo Cantinho Espírita. O que quero dizer é que em mediunidade o importante é praticá-la COM JESUS, pois se temos esse dom é porque o recebemos para um fim útil, e não apenas para nosso exibicionismo teatral ou de feira (“Veja o que eu sou capaz de fazer!”). Chopin, um dos maiores gênios musicais da história da Humanidade, passou a apresentar-se em espetáculos para angariar fundos para a defesa da Pátria que amava ardorosamente, a Polônia, vítima da guerra, justamente a guerra que o obrigara a viver longe da terra que tanto amava.  Assim, eu acho que, se percebemos que temos um dom mediúnico, devemos procurar orientação adequada, até especializada (se for o caso), praticarmos estudos para melhor conhecimento,  desenvolvimento e aperfeiçoamento, e em seguida consagrarmos esse dom para a caridade, para reduzir o sofrimento, fazer felizes as pessoas.. A desobsessão é um dos ramos mais importantes e carentes. Tenho notado que os Centros Espíritas têm relaxado um pouco a prática do serviço de socorro a vítimas dessa verdadeira catástrofe social – no mínimo, ajuda a deteriorar as práticas da vida social – pelo menos notei que poucos estão seguindo à risca as recomendações de André Luiz no seu livro “Desobsessão”. `Constatou a sua mediunidade? Treine-a e desenvolva-a para prestar o melhor serviço a pessoas às quais ela possa ser útil.  Evangelizando-se e reformando-se para praticar a mediunidade com Jesus, com a proteção das falanges do bem. Se não for especializada, dedique-se à desobsessão, área muito mais carente do que podemos imaginar, por  afligir pessoas em proporção muito maior do que pensamos e causar muitas infelicidades, até que as bênçãos de Jesus se estendam aos necessitados, com a colaboração da nossa mediunidade. Você é médium? Maravilhoso! Jesus espera pela sua colaboração. “A seara é grande e os trabalhadores são poucos.”

45 CRISTO REDIVIVO
Estamos ante o capítulo «Anotações em serviço» —. penúltimo de «Nos Domínios da Mediunidade» e, também, penúltimo deste livro.
Nele encontramos valiosos e edificantes apontamentos, todos eles indispensáveis ao estudo da mediunidade, tarefa a que nos propusemos impulsionados pelo desejo de colocar a nossa insignificante pedrinha na construção do templo que o Espiritismo Cristão está erguendo, pouco a pouco, na consciência de cada um de nós.
O capítulo em estudo se desenvolve em forma de brilhante e substancioso diálogo, de que participam o Assistente Áulus e o querido André Luiz.
Da análise desse magnífico diálogo, tão rico de lições atinentes à mediunidade, conclui-se que, em tese, os serviços mediúnicos obedecem a quatro principais motivações, assim especificadas:
a) — Socorro aos sofredores e ignorantes, encarnados e desencarnados;
b) — Atividade limitada aos templos de iniciação, a distância dos necessitados de todos os matizes;
c) — Investigações científicas;
d) — Exploração dos Espíritos.
São esses, de modo geral, os aspectos fundamentais que assinalam, a nosso ver, o exercício da mediunidade.
Analisemos os diversos grupos, por ordem alfabética, para melhor facilidade do estudo, a fim de verificarmos qual deles apresenta real interesse para os obreiros do Espiritismo Cristão.
Verifiquemos qual o tipo de serviço que nos ajudará a identificarmo-nos com os ideais de fraternidade do Evangelho.
No item «a» encontramos devotados seareiros consagrados ao serviço de cura e de esclarecimento, a encarnados e desencarnados, repetindo o que fêz o Mestre e Senhor Jesus durante o seu divino ministério na Terra.
Jesus, indiscutivelmente, viveu sempre entre os enfermos e ignorantes.
Os seus companheiros do colégio apostólico foram, em sua grande maioria, homens rústicos, humildes, simples.
A maioria era constituída de pescadores.
A sua obra de redenção efetivou-se, justamente, no meio de cegos e paralíticos, leprosos e estropiados, prostitutas e publicanos.
Foi esse o seu mundo.
Tais almas, desalentadas e sofredoras, formavam o seu imenso auditório — auditório de aflitos e sobrecarregados.
O cenário era também variado: as margens poéticas do Tiberíades, os montes e vales ou as pequenas aldeias.
Como MÉDIUM DE DEUS, a sua faculdade esteve a serviço do Pai, curando e ensinando.
O trabalho de Jesus realizou-se, portanto, com todas as características observadas no item «a» do nosso gráfico.
Vejamos o item «b», no qual o intercâmbio espiritual se verifica a portas fechadas, no cume dos montes, a distância dos necessitados, ou seja, nos templos de iniciação, de que é o Oriente tão pródigo.
Sem dúvida belos fenômenos ali se verificam; monges alados, materializações e desmaterializações e comunicados eruditos… tudo bem  longe dos enfermos e dos ignorantes…
Esse aspecto do mediunismo é bem o símbolo do comodismo e do orgulho rotulados ou fantasiados de cultura.
Perguntamos: Teria Jesus-Cristo permanecido em templos cujo acesso fosse vedado aos necessitados de todos os matizes?
A resposta encontra-se nos relatos de Mateus e Marcos, Lucas e João…
A resposta é a própria vida de Jesus.
Sobre o item «c», o do campo das investigações científicas, o comentário é do respeitável Áulus:
«O laborioso esforço da Ciência é tão sagrado quanto o heroísmo da fé.
A inteligência, com a balança e a retorta, também vive para servir ao Senhor. Esmerilhando os fenômenos mediúnicos e catalogando-os, chegará ao registro das vibrações psíquicas, garantindo a dignidade da Religião na Era Nova.”
Diante da palavra autorizada do Assistente, exaltando o esforço da Ciência, nada temos a acrescentar.
Relativamente ao item «d», o do exercício mediúnico com objetivos inferiores,  reportamo-nos ao capítulo próprio — «Mediunidade sem Jesus».
Expostos, em linhas gerais, os fins objetivados pela prática do mediunismo, dentro e fora do Espiritismo, ocorrem, naturalmente, várias indagações:
Qual o aspecto do mediunismo que deve ser adotado pelos trabalhadores do Espiritismo Cristão? “a”, “b”, «c» ou “d”?
O socorro aos necessitados, do corpo e do espírito, como fêz Jesus?
O intercâmbio, egoístico, nos templos de iniciação? A atividade nos laboratórios, pesando e medindo Espíritos, a fim de comprovar-lhes a sobrevivência?
*
Se desejamos seja Jesus-Cristo o inspirador do nosso movimento, deve, evidentemente, o Espiritismo cultivar aquela mesma seara a que o Divino Redentor, como MÉDIUM DE DEUS, consagrou toda a sua existência.
Se lhe chamamos Senhor e Mestre, Divino Amigo e Redentor da Humanidade, Sol de nossas vidas e Advogado de nossos destinos, por um dever de consciência devemos afeiçoar o nosso coração e conjugar o nosso esforço no devotamento à vinha que por Ele nos foi confiada.
Examinando o trabalho de Jesus, segundo as narrativas do Evangelho, onde o Filho de Maria aparece identificado com a alegria e a aflição, com a ignorância e o pecado, curando enfermos, distribuindo pão e peixe aos famintos e discursando construtivamente, no serviço de libertação das consciências, encontraremos no exemplo do Divino Mestre a resposta às nossas mais profundas indagações.
E se procurarmos, na medida de nossas forças, realizar o programa de fraternidade do Evangelho, estaremos, sem dúvida, colaborando para a restauração da Boa Nova primitiva e entronizando, no altar do nosso coração, a luminosa figura do Cristo Redivivo…

ESTUDANDO A MEDIUNIDADE – MARTINS PERALVA – 44

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COMO OCORREM AS MATERIALIZAÇÕES.  As aparições de espíritos sempre provocam admiração. Pode provocar também espanto e até medo. O Estudo do fenômeno é complexo, não sendo possível discuti-lo aqui.  Nossa função preambular é sempre chamar a atenção dos amigos que me honram com sua leitura para aspectos que os levem a estudar mais profundamente o assunto abordado com obras mais autorizadas. Comecemos lembrando a diferença entre materialização de um espírito, tornando-o visível para os circunstantes, e visão mediúnica de um médium específico, que vê o espírito no seu ambiente espiritual. Para materializar-se, nas sessões mantidas para esse fim, o espírito precisa do ectoplasma (ver definição abaixo) do médium especializado, O ectoplasma é  uma substância que existe em todos os seres vivos. Materializações podem ocorrer independentemente de sessões organizadas. Lembram daquela história que aqui contei sobre a mulher que parou um automóvel na rodovia para comunicar um acidente e ela própria era uma das vítimas fatais? Uma materialização. Existem fraudes e manipulações para fins criminosos, mas a fraude não invalida a verdade de reuniões sérias e de fenômenos verdadeiros, embora nem sempre comprováveis por quem não os presenciou. E também existem materializações sem o concurso ostensivo do médium. Querendo, basta um espírito capacitado aproveitar o ectoplasma circundante e se fazer aparecer e até movimentar objetos (até tocar instrumentos musicais), manipular instrumentos cirúrgicos…).  Isso pode acontecer em templos, hospitais e locais sagrados ou venerados da Natureza. Essas possibilidades podem ser aproveitadas até para fins obsessivos. E existem os já pouco comentados casos de “assombração”, nas casas e castelos,  cemitérios e lugares estranhos. A diferença é que, nas reuniões sérias, especializadas, tudo é montado visando a fim útil. Os espíritos convocados retiram dos médiuns o de que necessitam para a sua corporificação útil.

Numa definição bem simplificada,  ectoplasma é uma substância fluídica, de aparência diáfana, sutil, que flui do corpo dos seres vivos, especialmente os médiuns, e que pode ser usada para materializar pessoas e objetos.

44 – MATERIALIZAÇÃO (3º) – FINAL
Depois de termos, nos capítulos anteriores sobre o assunto, focalizado as providências preparatórias dos supervisores e as medidas acauteladoras atribuídas aos que compõem grupos de efeitos físicos, vamos tratar, agora, do mecanismo das materializações.
Como se processam as materializações?
De uma só maneira ou sujeitas a variações?

Há sempre necessidade de médiuns em transe, em cabines, a fim de que as entidades se possam corporificar?
As elucidações do Assistente Áulus respondem a tais perguntas.
As materializações são variáveis, embora invariáveis sejam os seus fundamentos, tendo em vista a ocorrência, em todas elas, dos três elementos essenciais que possibilitam a realização do fenômeno.
Podemos, assim, dividir as materializações em dois grupos diferentes:
a) — O Espírito incorpora o perispírito do médium colocado em transe;
b) — O Espírito organiza o seu corpo exclusivamente com os elementos essenciais às materializações, sem o concurso do perispírito do médium.
Nas materializações do grupo «a», enquanto o corpo físico do médium descansa, sob as vistas de terceiros, que atestam a sua presença corpórea na cabine, o perispírito, desprendendo-se, é utilizado pelo Espírito que, então, corporificado aparece na sala.
Essas materializações são, também, indiscutíveis por motivo muito simples: enquanto o médium, assistido por terceiros, permanece na cabine, o Espírito, materializado, passeia, conversa, distribui gentilezas e faz curativos na sala ante o pasmo geral.
Já tivemos oportunidade de presenciar fenômenos dessa ordem.
Por necessidade de classificação, daremos a essas materializações a denominação de «normais», «comuns» ou «vulgares”.
E elas são, efetivamente, as mais comuns, considerando os obstáculos que se deparam aos Espíritos por força da Condição deficitária dos companheiros encarnados.
Nas materializações do grupo «b», o fenômeno adquire foros de sublimação.
A todos empolga e apresenta características realmente comprovadoras da sua beleza e magnitude.
Essas materializações que denominamos «Sublimadas», podem dispensar o concurso ostensivo do médium. Verificam-se nos lares, nas ruas, nos campos, nas igrejas, etc…
Embora o ectoplasma não apareça aos olhos daqueles que as testemunham, ele existe e se associa aos dois outros restantes elementos: (a) energias dos planos superiores e (c) recursos tomados à própria Natureza.
Alguém o está fornecendo, de forma sutil e que transcende a nossa capacidade de percepção.
O próprio Espírito, por si mesmo e com o concurso de supervisores espirituais, entidades especializadas leva a efeito a Sublime composição dos três referidos elementos, mencionados no capítulo anterior.
Nos Estados Unidos presentemente se realizam, sob as vistas maravilhadas de dezenas e centenas de pessoas, materializações dessa natureza, sem concurso ostensivo de médiuns.
Em outras palavras: sem necessidade de médium em transe.
No deslumbrante cenário da Natureza, em pleno campo, os «mortos» se tornam visíveis.
Corporificam-se inteiramente, apresentam a mesma forma da encarnação anterior e confabulam, amistosamente, com os presentes, deixando-lhes, ao se despedirem, mensagens de esperança na Eterna Vida, tais como retratos e frases consoladoras…
Um novo Pentecostes, mais sublime e impressionante, se verifica na atualidade.
Em Jerusalém, a multidão observa, extasiada, como se viesse do céu, «um som, como de um vento impetuoso» encher toda a casa onde estavam os discípulos, os quais, ante a surpresa de inúmeros forasteiros, «ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas».
Nos dias presentes com reais possibilidades de intensificação no futuro —, temos o maravilhoso Pentecostes na presença corpórea dos amigos que nos precederam na longa viagem, numa afirmação inconteste de que, efetivamente, não podíamos suportar há vinte séculos as maravilhas que o Divino Amigo tinha para nos dizer e mostrar…

ESTUDANDO A MEDIUNIDADE – MARTINS PERALVA – 43

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MATERIALIZAÇÕES. Na prática espírita, a materialização não é feita por diletantismo ou para exibicionismo da capacidade de espíritos de fazer aparecer pessoas e objetos. Nas reuniões sérias, o objetivo é sempre fazer o bem, contribuir com alguma coisa para o grupo reunido ou para pessoas necessitadas. É muito comum os processos de cura. Os Espíritos responsáveis manipulam 3 componentes: Recursos das esferas superiores (substâncias etéreas, que desconhecemos), recursos do próprio médium, que fornece o ectoplasma e recursos da Natureza. Pessoalmente, não tenho experiência com esse tipo de sessões especializadas, mas não é raro que, em determinadas situações específicas e em casos de necessidade, elas ocorram mesmo em outros tipos de sessão. Na rotina da vida, o que chamamos de “benzimento”,  nada mais é do que a aplicação de recursos da Natureza, manipulados por espíritos Guias, combinados com os recursos  ectoplasmáticos do próprio benzedor (um médium). Nas sessões especializadas (muitas são justamente montadas para curas e cirurgias espirituais), o que ocorre é que há uma reunião de forças e recursos dos dois planos, promovida por médiuns sérios que buscam favorecer o trabalho dos espíritos buscando oferecer o seu preparo moral, seus recursos mediúnicos e sua boa vontade de servir aos que sofrem. Diariamente, os espíritos visitam hospitais e centros cirúrgicos para colaborarem com os médicos e profissionais de saúde no diagnóstico e nos processos para socorro aos enfermos.

43 MATERIALIZAÇÃO (2)
No capítulo precedente colocamos em evidência o esforço preparatório dos Espíritos Superiores nos cometimentos de efeitos físicos.
Focalizemos, agora, a segunda fase dos preparativos, ou seja, aquela que se inicia logo depois da preparação do ambiente e a sua defesa no exterior, pelos supervisores desencarnados.
Nos fenômenos de materialização, os Espíritos têm que contar com três elementos essenciais, a fim de que o trabalho alcance êxito.
A esses elementos, o Assistente Áulus, visando, sem dúvida, a melhor compreensão dos estudiosos, dá a denominação de Fluidos “A”, “B” e “C”, classificando-os da seguinte maneira:
A — Representando as forças superiores e sutis das Esferas elevadas.
B — Recursos ou energias do médium (ectoplasma) e dos seus companheiros.
C — Recursos ou energias tomadas à Natureza terrestre, nas águas, nas plantas, etc.
O próprio Assistente acentua que os supervisores não encontram dificuldades na manipulação dos Fluidos “A” e “C.”
Os fluidos “A” são puros e contribuem para a sublimação do fenômeno; os fluidos “C” são dóceis e representam energias extremamente propícias à execução dos trabalhos.
Todavia, quando chega o momento de selecionar e apurar os Fluidos “B”, que representam a contribuição dos encarnados, o esforço dos obreiros espirituais esbarra, sempre, com enormes obstáculos.
Na maioria dos casos é profundamente trabalhoso o serviço de composição dos três elementos (A, B e C), porque, enquanto o Plano Superior e a Natureza oferecem o que de melhor possuem, nós, os encarnados, responsáveis pela contribuição “B”, primamos em oferecer o que de mais ínfimo detemos, através de «formas-pensamentos, absurdas, de emanações viciosas resultantes do uso do fumo e da bebida e do abuso de carnes, bem assim de petições inadequadas, simbolizando os caprichos e incongruências que nos são peculiares.
Vejamos como André Luiz descreve o conjunto dos encarnados: «As catorze pessoas assembleadas no recinto eram catorze caprichos diferentes. Não havia ali ninguém com bastante compreensão do esforço que se reclamava do mundo espiritual, e cada companheiro, ao invés de ajudar o instrumento mediúnico, pesava sobre ele com inauditas exigências.
Em razão disso, o médium não contava com suficiente tranquilidade.
Figurava-se-nos um animal raro, acicatado por múltiplos aguilhões, tais os pensamentos descabidos de que se via objeto.»
Como se vê, pela triste descrição de André Luiz, esmeramos, lastimavelmente, em nos constituirmos as mais dissonantes notas da sublime orquestração da Vida.
As plantas e as águas, em harmonia com os recursos do Plano Superior, esbarram contra a indisciplina e a invigilância, o imediatismo e a presunção de nós outros, os encarnados.
Acompanhemos, um pouco mais, a narrativa de André Luiz:
«Os amigos, ainda na carne, mais se nos figuravam crianças inconscientes.
Pensavam em termos Indesejáveis, expressando petições absurdas, no aparente silêncio a que se acomodavam, irrequietos.
Exigiam a presença de afeições desencarnadas, sem cogitarem da oportunidade e do merecimento imprescindíveis, criticavam essa ou aquela
particularidade do fenômeno ou prendiam a imaginação a problemas aviltantes
da experiência vulgar.»
Retomando o fio de nossas considerações, salientemos, ainda, novas providências tomadas pelos supervisores, agora não mais para defender o local das sessões, mas para colocar o médium, fisiológica e psicologicamente, em condições de, a salvo de qualquer surpresa desagradável ao organismo, possibilitar a integralização do fenômeno.
Tais providências se caracterizam pelo socorro magnético, também com três fundamentais objetivos, a saber:
a) — Incentivo aos processos digestivos do médium;
b) Limpeza do sistema nervoso, para as saídas de forças;
c) — Auxílio para o desdobramento do médium.
Com relação ao item «a», transcrevamos de André Luiz no livro «Missionários da Luz»:
«Ele (Alexandre), Verônica e mais três assistentes diretos de Alencar colocaram as mãos, em forma de coroa, sobre a fronte da jovem e vi que as suas energias reunidas formavam vigoroso fluxo magnético que foi projetado sobre o estômago e o fígado da médium, órgãos esses que acusaram, imediatamente, novo ritmo de vibrações. »
Sob a ação magnética dos supervisores, notou André Luiz «maior produção de bile e de enzimas digestivos, bem assim acelerada atividade do pâncreas lançando grandes porções de tripsina na parte inicial dos intestinos”.
«As células hepáticas esforçavam-se, apressadas, armazenando recursos da nutrição ao longo das veias interlobulares, que se assemelhavam a pequeninos canais de luz.»
Ao iniciarem os Amigos Espirituais o trabalho de assistência aos centros nervosos da médium — item «b» – observou André Luiz (ainda em «Missionários da Luz») que (as forças projetadas sobre a organização mediúnica efetuavam limpeza eficiente e enérgica, porquanto via, espantado, os resíduos escuros que lhes eram arrancados dos centros vitais».
Quanto ao item «c», transcrevamos as observações de André Luiz:
“Prosseguindo o exame dos trabalhos em curso, reparei que Verônica alçava, agora, a destra sobre a cabeça da jovem, demorando-a no centro de sensibilidade.
— Nossa irmã Verônica — explicou o meu generoso orientador — está aplicando passes magnéticos como serviço de introdução ao desdobramento necessário.»
As considerações, até o momento expendidas, levam-nos a repetir o que dissemos no início do precedente capítulo: o fator moral tem que estar presente em todas as realizações do Espiritismo Cristão.
Moral que determine o elevado comportamento dos encarnados, ante a magnitude do fenômeno.
Moral que contribua, decisivamente, para a sublimação dos trabalhos e assegure a pureza das manifestações e o perfeito equilíbrio fisiológico do   médium.
Moral que faça, de cada um dos componentes do grupo, um irmão interessado, sobretudo, na extensão dos benefícios aos enfermos que ali se congregam.
Moral que grave na consciência de todos a certeza de que, antes da satisfação de nossos caprichos e entusiasmos, paira, altaneiro e sublime, porque revestido de eternidade, o cumprimento da advertência de Jesus-Cristo:
“O mandamento que vos dou é que vos ameia uns aos outros como eu vos amei.”

 

ESTUDANDO A MEDIUNIDADE – MARTINS PERALVA – 42

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APARIÇÃO E MATERIALIZAÇÃO. Os espíritos podem ser vistos ou sentidos em várias circunstâncias. Há os médiuns videntes que VÊEM os espíritos (só eles), tanto em ocorrências especiais, quanto nas reuniões especializadas.  Muita gente tem vidências eventuais ou ocasionais e existem muitas “histórias de assombração” que muitas pessoas contam. E há também as histórias de materialização, tanto eventuais como em  reuniões promovidas para estudos sérios, em caráter regular ou eventualmente. Acho que quase todos nos lembramos de alguma história que alguém nos contou e que nos surpreendem. Estou me lembrando de uma ocorrência que nos causou forte impacto na cidade de Agudos. Uma pessoa – uma autoridade – viajava para Bauru, num trajeto que fazia frequentemente, quando percebeu uma mulher acenando na margem da rodovia. Parou seu automóvel e quis saber porque ela o chamava. Ela explicou que havia ocorrido um acidente precisava de socorro para pessoas acidentadas num ponto próximo à estrada. Ele, mais os seus acompanhantes, desceram e foram no local por ela indicado. Lá chegando, viram várias pessoas acidentadas precisando de socorro urgente. Só que – essa a grande surpresa – uma pessoa estava morta dentro do veículo acidentado: justamente a mulher que acenara para ele à beira da estrada. Estava morta, mas apareceu pra socorrer os companheiros de viagem. Isso provocou comoção em nossa cidade. Só a título de curiosidade, também me lembro de um filme que fez sucesso nos tempos das boas produções do cinema nacional: “Alameda da Saudade, 113”. Contava a história, dada como verídica, de um homem que teve um romance com uma bela mulher, que nunca a deixava aproximar-se de sua residência. Um dia (não me lembro mais de detalhes), ele, querendo casar-se com ela, acabou descobrindo a sua residência. A mãe surpreendeu-se, pois a filha já havia morrido, anos atrás. Forneceu-lhe o endereço no cemitério local: Alameda da Saudade, 113, onde ele localizou o seu túmulo, com a inscrição do seu nome e datas de nascimento e morte. O filme causou uma comoção de sucesso. Bem, falta só lembrar que Aparição é quando o espírito é visto apenas por médiuns videntes e a materialização é um fenômeno que torna o espírito visível para todos nas proximidades onde ele está. Nas casas respeitáveis isso é feito para fins de estudo, medicinais ou qualquer outra razão séria do ponto de vista de investigação ou ação científica. Há muitas, muitas mesmo, histórias sobre esses fenômenos.

42 MATERIALIZAÇÃO – i
O fator moral nunca está ausente de qualquer realização espírita.
Assim sendo, também nas manifestações de efeitos físicos as motivações superiores constituem a razão de ser da concordância dos Espíritos em se materializarem.
Todos os fenômenos de materialização são regidos, ou supervisionados, por entidades elevadas, capazes de conduzir com segurança tão importantes, difíceis e perigosos trabalhos.
Nenhum Espírito Superior — podemos dizer isto sem pestanejar — concorda em materializar-se simplesmente para atender à curiosidade de “A” ou “B.”
Esta convicção nos leva a pensar como é possível um grupo de pessoas, sem o devido senso de responsabilidade ante fenômeno tão complexo, dedicar-se ao trabalho de «fazer sessões de materialização»!
Uma vez que as pessoas não familiarizadas com o Espiritismo costumam confundir «materialização) com «aparição», iniciemos o presente estudo definindo, convenientemente, uma e outra coisa.
MATERIALIZAÇÃO é o fenômeno pelo qual os Espíritos se corporificam,
tornando-se visíveis a quantos estiverem no local das sessões.
Não é preciso ser médium para ver o Espírito materializado. Materializando-se, corporificando-se, pode o Espírito ser visto, sentido e tocado.
Podemos abraçá-lo, sentir-lhe o calor da temperatura, ouvir-lhe as pulsações do coração e com ele conversar naturalmente.
APARIÇÃO é o fenômeno pelo qual o Espírito é visto APENAS por quem tiver vidência.
A materialização é um fenômeno objetivo e a aparição é um fenômeno subjetivo.
Há, portanto, fundamental diferença entre uma e outra.
Estabelecida a distinção, entremos no assunto.
As reuniões exigem um trabalho preparatório, a que chamaríamos primeira fase, muito intenso, de encarnados e desencarnados, especialmente dos últimos.
Os supervisores espirituais tomam, inicialmente, três principais providências, assim discriminadas:
a) — Isolamento do local das sessões num círculo de mais ou menos 20 metros;
b) — Ionização da atmosfera;
c) — Destruição das larvas.
Tais são as primeiras providências tomadas por entidades especializadas.
O isolamento do local se faz por meio de extenso cordão de obreiros esclarecidos, a fim de evitar o acesso de entidades inferiores que podem, não somente perturbar os trabalhos, mas também afetar a pureza do material utilizado nas materializações, tais como, ectoplasma, fluidos, etc.
A ionização é, por assim dizer, um processo de eletrificação do ambiente. A sua finalidade é possibilitar a combinação de recursos para efeitos elétricos e magnéticos.
Os focos de luz, lampejos, etc., que se observam nas sessões, são devidos à combinação de recursos, graças à ionização da atmosfera momentos antes dos trabalhos.
A destruição das larvas por aparelhos elétricos invisíveis (aparelhos
espirituais) se executa a fim de evitar que o ectoplasma (força nervosa do médium) sofra a intromissão de certos elementos microbianos”…
“A força nervosa do médium é matéria plástica e profundamente sensível  às nossas criações mentais.
Este assunto foi objeto de completa elucidação no livro “Missionários da Luz”, sendo aconselhável a sua consulta pelo leitor.
Dessa obra, no capítulo sobre materializações, extraímos estes apontamentos.
Como nos é dado observar, insano é o esforço dos Espíritos na organização de trabalhos de materialização.
Assim sendo, é justo entendamos que somente por motivos superiores os Espíritos se materializam, tais como:
a) — Atendimento aos sofredores encarnados, nos serviços de cura;
b) — Facilitar investigações científicas respeitáveis, previamente planejadas no Plano Superior.
Se na parte dos Espíritos há semelhante esforço, visando a resguardar a organização mediúnica e assegurar o bom êxito das materializações, é natural que os encarnados também se preparem e colaborem convenientemente.
Há necessidade da disciplina espiritual e da abstinência de certos alimentos e bebidas que, tomadas ou ingeridas, determinam emanações venenosas que podem atingir, prejudicialmente, a organização do médium.
Como? Porquê?
Vejamos: o médium fornece, com abundância, ectoplasma do seu próprio corpo, destinado à materialização dos Espíritos.
Esse ectoplasma, após a desmaterialização dos Espíritos, lhe é restituído ao organismo..
Assim sendo, cumpre preservar a pureza do ectoplasma.
Se o ambiente se acha impregnado de formas-pensamentos» inferiores e de substâncias venenosas, estas resultantes da ingestão de alimentos grosseiros e bebidas excitantes, o ectoplasma é restituído cheio de impurezas, afetando o aparelhamento fisiológico de quem, com tanta boa vontade, se ofereceu ao serviço: o médium!
Os componentes de um grupo de materialização que funciona na base da seriedade e do respeito, têm, invariavelmente, de tomar as seguintes precauções, abstendo-se de:
a) — Alcoólicos.
b) — Fumo.
c) — Bebidas.
d) — Pensamentos inadequados.
Poucos se submetem a essa disciplina, daí os perigos que as reuniões de materialização apresentam.
“Todo o perigo desses trabalhos está na ausência de preparo dos nossos amigos da Crosta, os quais, na maioria das vezes, alegando impositivos científicos, se furtam a comezinhos princípios de elevação moral.
Os assistentes, de um modo geral, não tomam conhecimento desses perigos.
Querem apenas ver os Espíritos e deslumbrarem-se ante a maravilha do fenômeno, sem atentar no sacrifício das entidades e do médium.
E, muito menos, nas consequências morais que decorrem do fenômeno.
As materializações, antes de nos empolgarem pelo sentido fenomênico, devem constituir motivo para que, exaltando a Vida Imortal e nos lembrando da
Transfiguração do Senhor, façamos, de nossa parte, o possível para acendermos no coração a lanterna do aperfeiçoamento espiritual.

ESTUDANDO A MEDIUNIDADE – MARTINS PERALVA – 41

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PREPARAR-SE PARA SERVIR. Uma grande oradora espírita de Bauru (temo esquecer-lhe o nome, perdoem as falhas de memória; acho que era Cristina) deixou-me, em uma de suas palestras,  um ensinamento memorável, que procurei não esquecer. Dizia ela que passamos por 3 fases quando aceitamos o Espiritismo como nossa religião. 1) Quando entramos no espiritismo, em geral angustiados por algum problema, alguma prova difícil, uma grande perda, não raro devido a um caso de obsessão. 2) Quando o Espiritismo entra em nós, e ficamos fascinados pela lógica da doutrina, que explica e justifica as causas das nossas angústias e nos mostra o caminho da empatia diante do sofrimento do próximo como único para encontrarmos forças para vencer nossas provas. 3) Quando o Espiritismo sai de nós, nascendo-nos um desejo de servir, de cooperar para o esclarecimento das pessoas, ensinando-lhes a Doutrina Codificada por Kardec como Ciência, Filosofia e Religião, retribuindo os benefícios recebidos. É bem assim, mesmo. “É assim que é…”, diria em linguajar cuiabano. Eu me lembro na minha 3a. fase. Escrevi um opúsculo chamado “ABC do Espiritismo” quando quis expressar minha gratidão ao Centro Espirita Luz, Amor e Caridade, dirigido pelo inesquecível amigo José Ignácio Ferreira, recentemente desencarnado. Mas aqui cabe uma advertência no que diz respeito à mediunidade: esse dom, se não for adequadamente adestrado, poderá ser utilizado também por espíritos inferiores se não nos posicionarmos com vigilantes e cuidadosos. “Conhece-se um espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que realiza para combater suas más tendências”, ensinou Kardec.  Um facão pode ser usado para preparar um terreno no plantio de alimentos, mas pode servir  para matar. Espíritos os há em toda parte, há os bons, os maus e há os nem tanto. Se o amigo ou irmão se entusiasmou com a mediunidade e dispõe de higidez física (é claro que muitas limitações não impedem de modo algum a prática mediúnica), deve dedicar-se ao estudo Doutrina e do Evangelho de Jesus, bem como TREINAR , EDUCAR A SUA MEDIUNIDADE, fazendo-a progredir paulatinamente, aumentando o seu domínio  pessoal sobre essa “ferramenta”, aprendendo com o Dirigente da casa, com os correligionários e com os Espíritos orientadores do Centro o que fazer, como fazer, como desenvolver, em cada uma das suas diversas modalidades, esse maravilhoso dom da mediunidade, que tantos benefícios pode trazer no meio social em que atuamos e nos fazer evoluir pessoalmente como instrumentos do amor Divino. Que o entusiasmo nos anime e nos encaminhe para ter o serviço ao bem como objetivo, mas não esqueçamos que ” a caridade não exclui a prudência”. Por outro lado,  também é bom lembrar que “Onde houver duas ou mais pessoas reunidas em meu nome, aí eu estarei no meio delas” – Jesus.

41 DISTÚRBIOS PSÍQUICOS
O serviço mediúnico é de tal modo sagrado que não pode dispensar, de forma alguma, a preparação moral e cultural, especialmente aquela, de quantos colaboram nesse importante e complexo setor da Doutrina Espírita.
Há necessidade do estudo edificante que esclarece e ajuda o discernimento, tanto para o médium, quanto para o dirigente de sessões.
Os templos espíritas são como os hospitais: precisam de clínicos, competentes e estudiosos, hábeis e humanitários, capacitados a ajudarem eficientemente aos enfermos que ali buscam medicamento e socorro.
Imaginemos a situação de um acidentado que procura o hospital e lá encontra, apenas, criaturas de boa vontade, mas reconhecidamente incapazes de lance operatório difícil e de urgência, ou de medicação preventiva que o resguarde da gangrena e da morte!
O hospital bem aparelhado, material e humanamente, granjeia a confiança
e o apreço de uma população inteira.
O Centro Espírita pode, por analogia, ser comparado a um Hospital de Pronto Socorro.
Enfermos de todos os matizes para ali se dirigem, diariamente, confiantes e esperançosos.
São «almas acidentadas» que, nas difíceis jornadas evolutivas, fracassaram amiudadas vezes, caindo e ferindo-se na repetição de dolorosas experiências.
São consciências atribuladas, ansiosas pelo esclarecimento que renova a mente e abre ao Espírito perspectivas de esperança e de fé.
São corações angustiosos que, por muito sofrerem, caminham desalentados, quase vencidos, assemelhando-se, conjuntamente, a uma triste “procissão de aflitos”, famintos do pão espiritual.
E o Centro Espírita é, para todos esses desencantados, o refúgio e a consolação.
É o oásis de paz e esperança onde esperam encontrar Jesus de braços abertos, para a doce e suave comunhão da fraternidade e da alegria.
Imaginemos, agora, que os espíritas percam o gosto pelo estudo superior, esqueçam a ternura e a compreensão, e, quais médicos ociosos, alheios aos surtos evolutivos da Ciência de Curar, insistam na vã tentativa de amparar os que estão entregues ao desânimo e à enfermidade!
É o caso de lembrar a pergunta do Mestre Galileu:
“Pode um cego guiar outro cego? não cairão ambos no barranco?
Quem procura um Centro Espírita, por mais humilde que seja esse Centro, espera, sem dúvida, encontrar companheiros em condições de, em nome do Cristo, ajudar e socorrer segundo as limitações que nos são peculiares.
Nota-se, em nosso abençoado movimento, uma tendência generalizada no sentido de se aconselhar a todo o mundo, indistintamente, o desenvolvimento da mediunidade.
Será isto aconselhável?
É o que desejamos comentar.
Muitas vezes aquele que procura o Centro Espírita, apresentando certos desequilíbrios, é apenas um companheiro necessitado de reajuste psíquico.
É um irmão que conduz uma mente desarmoniosa, destrambelhada,  necessitado, antes de tudo, de se renovar para o bem e para a luz.
Dever-se-á, nesse caso, levar tal criatura à mesa mediúnica para o desenvolvimento, talvez prematuro, ou ajudá-la, antes, no processo de renovação da mente, a fim de que possa, futuramente, servir com reais possibilidades na luminosa sementeira mediúnica?
A nosso ver, tal orientação não corresponde ao que temos lido na Doutrina e nela aprendido.
Os distúrbios psíquicos podem, francamente, ter causas diferentes, assim especificadas:
a) — Origem mediúnica;
b) — Resultantes de simples desarmonia mental.
Muitas vezes, reajustada a mente, a faculdade que parecia despontar desaparece em definitivo.
Noutras, após o reajuste mental, as possibilidades medianímicas se ampliam e se enriquecem, abrindo ao novo companheiro valiosas oportunidades de servir ao próximo.
Antes de aconselharmos o desenvolvimento mediúnico, examinemos se se trata mesmo de mediunidade a desenvolver ou de mente a reajustar.
Seja qual for o caso, a prudência e o bom-senso aconselham que o processo de cura se realize em duas fases:
a) — Renovação da mente;
b) — Integração no trabalho:
Quando dizemos «integração no trabalho, queremos referir-nos à atividade cristã, neste ou naquele setor.
Queremos referir-nos à integração da criatura em qualquer gênero de serviço construtivo e fraterno, nobre e edificante.
O trabalho foi, é e será sempre excelente e incomparável recurso para que, dando ocupação à própria mente, defenda e ilumine o homem a sua casa mental, preservando-a da incursão, perigosa e sorrateira, de entidades ou pensamentos parasitários.
A renovação da mente, como primeiro passo, implica, em síntese, no cultoa aplicação de valiosos princípios cristãos, tais como:
a) — Disciplina
b) — Estudo
c) — Meditação
d) — Prece
São requisitos indispensáveis àqueles que, despertando ao calor do Cristianismo Redivivo, desejam, de fato, modificar a própria vida, caminhar com os próprios pés e lutar, sob a inspiração de Jesus, a prol de superiores objetivos espirituais.
A integração no trabalho se expressa, por exemplo, no exercício da atividade mediúnica, se for o caso; no cultivo da fraternidade para com todos; enfim, na adesão sincera e firme aos princípios evangélicos, únicos capazes de acenderem dentro de nossa alma a candeia que nos iluminará os roteiros evolutivos.
Estudemos, pois, todos os que abraçamos o Espiritismo, ante a convicção de que é ele, evidentemente, o libertador de consciências e o consolador de aflitos, a fim de que Jesus, o Chefe desse maravilhoso movimento, das Esferas esplendentes de onde dirige os destinos da Humanidade planetária, possa alegrar-se com a boa vontade e o esforço de quantos, nas fileiras de nossa  Doutrina ou de outros santuários religiosos, lutam pela implantação do seu Reinado de Luz e Sabedoria.
Estudemos, médiuns e dirigentes, a fim de que o nosso trabalho se realize na base do Amor e da Sabedoria, asas com as quais ascenderemos, um dia, aos cumes da Espiritualidade Vitoriosa.
Estudemos a fim de que, identificando-nos com o Divino Amigo, possamos, um dia, transformar as nossas mãos e as nossas palavras em abençoados instrumentos de auxílio a quantos buscam os núcleos espíritas na certeza de que NEM TUDO ESTÁ PERDIDO…